Como chegou a vespa asiática a Portugal? O que fazer se for picado? Conheça as respostas aqui

Como chegou a vespa asiática a Portugal? O que fazer se for picado? Conheça as respostas aqui

O último caso ocorreu no Parque da Pena, em Sintra, que foi encerrado ao público na segunda-feira (dia 16) depois de ter sido descoberto um ninho de vespas asiáticas na zona ocidental do parque.

Afinal, o que é uma vespa volutina e que é que se deve fazer quando se deteta um ninho da espécie? A Renascença explica tudo o que deve saber.

Que aspeto têm as vespas asiáticas e como chegaram a Portugal?

Esta espécie é predominantemente preta, com uma ampla faixa laranja no abdómen e uma faixa amarela na parte dorsal. As patas são também escuras, com extremidades amarelas.

A vespa volutina entrou na Europa através da França, em 2004, num carregamento de bonsais proveniente da China. A espécie rapidamente se reproduziu, tendo entrado em Portugal em 2011, a quatro apiários no concelho de Viana do Castelo.

Os ninhos destas vespas, como o que foi detetado em Sintra, podem chegar a um metro de altura e até 80 centímetros de diâmetro. No seu interior podem estar entre 2 mil e 13 mil vespas.

Onde se encontram os ninhos?

A deteção dos ninhos nem sempre é tarefa fácil.

Alguns podem localizar-se em árvores baixas ou em telhados, sendo, por isso, facilmente visíveis, outros localizam-se em árvores altas, como, por exemplo, eucaliptos adultos. E, neste caso, é muito difícil ver os ninhos, não só pela distância ao solo como pelo facto desta espécie florestal apresentar folhas todo o ano.

O que fazer em caso de picadas?

  • Remover o ferrão da vespa que possa ainda estar cravado na pele;
  • Lavar o local da picada abundantemente com água fria;
  • Em caso de sentir dor, tomar um analgésico, como paracetamol ou ibuprofeno. Seguir sempre as indicações do folheto e tomar a dose recomendada;
  • Se sentir comichão, aplicar gelo ou uma pomada de venda-livre comprada na farmácia específica para o alívio do sintoma. É também possível tomar um anti-hitamínico;
  • Para reduzir o edema, aplicar gelo na lesão.

Como prevenir as picadas de vespas

De acordo com o site oficial da CUF, existem algumas precauções que podem ser tomadas para reduzir o risco de ser picado:

  • Mantenha-se calmo e movimente-se devagar; não agite os braços nem as enxote;
  • Cubra a pele exposta usando mangas compridas e calças nos momentos do dia em que os insetos estão mais ativos – como o nascer e o pôr do sol;
  • Calce sapatos fechados enquanto estiver na rua;
  • Aplique repelente de insetos – com entre 20 a 30% de DEET (dietiltoluamida) – na pele exposta e por cima da roupa. Se vai aplicar protetor solar, faça-o antes de aplicar o repelente;
  • Nunca perturbe os ninhos dos insetos;
  • Mantenha os alimentos e bebidas tapados enquanto estiver a consumi-los ao ar-livre, especialmente os doces;
  • Em zonas de risco, mantenha as portas e janelas da casa e do carro fechadas, sobretudo no final do dia, ou coloque uma rede mosquiteira para prevenir a entrada de insetos.

Como se comporta e que impactos negativos tem a vespa volutina?

A espécie é diurna e predadora de outras vespas, abelhas e outros insetos… No caso das abelhas, a vespa velutina espera que cheguem carregadas de pólen junto às colmeias. Depois de as capturarem, levam-nas para os seus ninhos para alimentar as larvas.

Na apicultura, a vespa asiática causa perdas devido à predação da abelha-europeia, enquanto que na agricultura, além de haver uma menor atividade de polinização, pode influenciar a produção frutícola.

Este é um dos grandes efeitos da presença desta espécie em território nacional, de acordo com o Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, criado em 2018.

Até que ponto afeta o bem-estar e a segurança das pessoas?

Individualmente, não é mais agressiva para o ser humano do que a vespa-europeia, mas reage de forma bastante agressiva às ameaças do ninho.

Se se sentir ameaçada até cinco metros de distância do ninho, pode responder em grupo e perseguir essa ameaça a cerca de 500 metros.

Desde 2017 até ao corrente ano, verificou-se um aumento do número de denúncias. Em 2017, contabilizaram-se 499 avistamentos, número que aumentou para 708 em 2018 e que, este ano, até 25 de agosto, somou 508 situações relacionadas com a presença de vespas asiáticas.

Em que pontos do país existem mais ninhos de vespas volutinas?

Os distritos onde se registaram mais denúncias, ao longo deste ano, foram no Porto (133), Braga (92), Viseu (60), Aveiro (53) e Coimbra (50).

A vespa asiática registou o primeiro avistamento em Portugal em 2011, no distrito de Viana do Castelo, e, desde aí, tem vindo a deslocar-se para o sul do país, sendo que Lisboa, até agora, é o distrito mais a sul onde existe a presença da vespa velutina.

Onde e a quem fazer denúncias em caso de deteção de ninhos?

Através da linha SOS Ambiente e Território – 808 200 520 – do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR, ou preencher um formulário na plataforma SOS Vespa, criada pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, a dar conta da localização de um ninho.

A plataforma SOS Vespa cartografa e monitoriza essas ocorrências através da colaboração de cidadãos e de instituições.

Também é possível pedir a colaboração da junta de freguesia da área da observação do ninho.

Que planos de ação existem em Portugal?

Em 2018, foi implementado o plano de ação para a vigilância e controlo da vespa velutina em Portugal, que visa a prevenção, vigilância e controlo desses animais em todo o território nacional, com vista à segurança dos cidadãos, à proteção da atividade agrícola e do efetivo apícola, bem como à minimização dos impactos sobre a biodiversidade.

Relativamente ao plano de ação, a GNR, através do SEPNA, tem participado nas ações de vigilância, controlo e destruição, assim como nas ações de formação e divulgação, além de efetuar o tratamento e encaminhamento de todas as denúncias recebidas através linha SOS Ambiente e Território.

Certo é que os cidadãos devem evitar fazer a destruição dos ninhos, uma vez que, se não for eliminado na sua totalidade, a vespa vai nidificar noutro local, persistindo o problema.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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