Clima económico recupera, mas confiança dos consumidores mantém queda

Clima económico recupera, mas confiança dos consumidores mantém queda

Os empresários parecem estar ligeiramente mais otimistas no arranque deste ano, face aos meses anteriores, enquanto os consumidores continuam a intensificar o seu pessimismo em relação à economia portuguesa. É isso que sinalizam os indicadores de clima económico e da confiança dos consumidores até março, segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta-feira, 28 de março.
O indicador de clima económica subiu pelo segundo mês consecutivo em março, atingindo os 2,3% (média móvel de três meses), o valor mais elevado desde novembro de 2018, o que sinaliza uma melhoria das perspetivas dos empresários. Este indicador sintético publicado pelo INE resulta das respostas qualitativas das empresas da indústria, serviços e construção.

Contudo, no que toca aos indicadores de confianças, os dados dão sinais contrários. No caso dos consumidores, a confiança piorou novamente e atingiu um mínimo de novembro de 2016. Segundo o INE, este comportamento “refletiu o contributo negativo do saldo das perspetivas relativas à evolução da situação económica do país, da situação financeira do agregado familiar e da realização de compras importantes”.

A confiança dos empresários também diminuiu seja na indústria, na contrução, no comércio ou nos serviços. Em termos gerais, esta degradação resulta do contributo negativo das perspetivas de produção, opiniões sobre a procura global e apreciações sobre a evolução dos stocks. No caso específico da construção a redução do indicador de confiança acontece depois de em fevereiro ter atingido um máximo de 17 anos.

Estes são sinais agridoces para a evolução da economia portuguesa no primeiro trimestre deste ano. Na semana passada, tanto o indicador de atividade económica de janeiro do INE como o indicador coincidente de atividade económica de fevereiro do Banco de Portugal sinalizaram uma melhoria do ritmo de crescimento de Portugal graças à aceleração do investimento. “Estes indicadores sugerem que o ritmo de crescimento económico se manterá em níveis significativos no primeiro trimestre de 2019”, concluíam os analistas do BPI na publicação “Pulso Económico”. 

Contudo, ainda é cedo para tirar conclusões dado que será em maio que o INE divulgará o PIB do arranque de 2019. E, para já, a envolvente externa, em particular da Zona Euro, a que Portugal está bastante exposto, não dá sinais de melhoria. Pelo contrário, os indicadores revelados até ao momento apontam todos para a continuação da travagem económica sentida no segundo semestre de 2018. 

O artigo foi publicado originalmente em Jornal de Negócios.

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