CIM do Tâmega e Sousa quer constituir-se como bio-região

CIM do Tâmega e Sousa quer constituir-se como bio-região

A Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa (CIM do Tâmega e Sousa) está a trabalhar no sentido de tornar este território numa bio-região e a criar condições para a sua integração na Rede Internacional de Bio-regiões, a IN.N.E.R. – International Network of Eco Regions.

Perspetivando esse objetivo, decorreu há poucos dias o Fórum Internacional sobre Bio-regiões, um debate sobre agricultura biológica, sustentabilidade e bio-regiões que reuniu mais de uma centena de participantes em Penafiel, e que contou com a participação do Diretor-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, do Presidente da Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (AGROBIO), do Presidente da IN.N.E.R. e do CEO da Biocheers.

O Diretor-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Gonçalo de Freitas Leal, sublinhou o importante papel da agricultura biológica na valorização económica da produção agrícola: “a nossa produção agrícola tem de se impor pela qualidade e não pela quantidade. A agricultura biológica é uma forma de qualidade e, como tal, uma forma de valorização económica da produção agrícola, o que representa um estímulo económico muito grande, sobretudo nas pequenas explorações”.

Gonçalo de Freitas Leal destacou ainda a relação intrínseca entre a agricultura biológica e a agricultura familiar, referindo que “se há um modelo de agricultura propício à produção de agricultura biológica é a agricultura familiar”. Considerando que a agricultura familiar representa cerca de 90% da mão de obra agrícola em Portugal e cerca de 80% do produto agrícola, defendeu a necessidade de reorientar as políticas públicas comunitárias e nacionais no sentido de apoiar a agricultura familiar.

O Presidente do Conselho Intermunicipal da CIM do Tâmega e Sousa, Armando Mourisco, reconheceu que o agroalimentar é um caminho que a região está a iniciar, mas que a importância do setor já foi claramente percebida pelos 11 municípios que integram a CIM do Tâmega e Sousa: “somos a sub-região que mais vinho verde produz em Portugal e que mais exportamos (…). Mas também podemos olhar para a fruta e para as hortícolas. Um crescimento que nos levou a elaborar um Plano Estratégico do Agroalimentar do Tâmega e Sousa, pensando neste potencial e naquilo que há de ser o trabalho conjunto futuro”.

Armando Mourisco acrescentou ainda que, em paralelo, a CIM do Tâmega e Sousa está a finalizar um estudo de identificação dos mercados-alvo de exportação, quer para os setores mais ligados à indústria, quer para a fileira do agroalimentar, salvaguardando a questão do escoamento da produção.

Tomando o exemplo do Tâmega e Sousa e a sua vontade em constituir-se como bio-região, o Presidente da AGROBIO, Jaime Ferreira, reconheceu o potencial da região: “há aqui uma grande oportunidade para este território se poder desenvolver de uma forma sustentada, aumentando a coesão social e desenvolvendo a economia local. (…) Aqui há produtos diferentes de outras regiões e temos de valorizar isso, mas agora em agricultura biológica”.

Jaime Ferreira abordou também a agricultura e os modos de produção biológicos, numa apresentação complementada pela de Daniel Queirós, CEO da Biocheers, uma empresa do Tâmega e Sousa de produtos biológicos certificados, que falou da agricultura biológica do ponto de vista da distribuição, da comercialização e da rentabilidade para os produtores.

Salvatore Basile, Presidente da IN.N.E.R., apresentou a Rede Internacional de Bio-regiões e falou sobre a importância das parcerias na promoção da sustentabilidade dos recursos biológicos.

Uma bio-região é uma área geográfica onde os agricultores e produtores biológicos, os cidadãos, os operadores turísticos, as associações e o poder local e intermunicipal estabelecem um acordo para a gestão sustentável dos recursos locais, partindo do modelo biológico de produção e consumo.

A promoção dos produtos biológicos numa bio-região articula-se com a promoção do território para atingir um plano de desenvolvimento das potencialidades económicas, sociais e culturais. Ou seja, os recursos naturais, culturais e produtivos do território estão ligados em rede e são reforçados por políticas locais orientadas para a valorização do ambiente, das tradições e dos conhecimentos locais.

O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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