A China comprou cerca de 12 milhões de toneladas de soja norte-americana ao longo dos últimos três meses, cumprindo assim as quotas a que se comprometeu como parte da trégua comercial que assinou com Washington, noticiou hoje a Bloomberg.
De acordo com fontes anónimas citadas pela agência, o maior importador mundial desta leguminosa já se encontrava próximo deste objetivo nos últimos dias e terá já reservado remessas suficientes para o atingir, principalmente através da empresa estatal de reservas de cereais, a Sinograin.
A maioria destes carregamentos deverá chegar ao país asiático durante o primeiro trimestre, sendo que uma parte significativa irá para as reservas estatais. Nas últimas semanas, as autoridades chinesas realizaram vários leilões de soja, o que sugere que estão a criar espaço para receber mais produto.
Embora Pequim nunca tenha reconhecido oficialmente os números, após o acordo de outubro, a Casa Branca anunciou que a China se havia comprometido a adquirir pelo menos 12 milhões de toneladas em 2025, embora posteriormente o prazo tenha sido estendido até fevereiro.
Estas compras representam uma mudança de 180 graus face à situação vivida durante vários meses: após a escalada de tarifas iniciada pelo então presidente norte-americano, Donald Trump, a China reduziu praticamente a zero as suas aquisições de soja dos EUA durante quase meio ano, o que levou a uma queda dos preços e a dificuldades para os produtores norte-americanos.
Após o acordo alcançado no final de outubro entre Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, também garantiu que Pequim se comprometeu a aumentar as suas compras para, pelo menos, 25 milhões de toneladas anuais até 2028.
Antes disso, a China já se tinha preparado para resistir sem a soja norte-americana, aumentando as importações da América do Sul, incluindo da Argentina, Brasil ou Uruguai, promovendo a produção interna e até reduzindo o uso da leguminosa na alimentação animal.
Face a uma grande colheita no Brasil, as fontes citadas pela Bloomberg indicam que a China está a reservar soja brasileira para carregamentos até agosto. Assim, alguns analistas questionam se Pequim manterá o ritmo de compras aos EUA, uma vez cumpridos os compromissos iniciais.

















































