Área ardida em Portugal é um dos piores registos da Europa

Área ardida em Portugal é um dos piores registos da Europa

Em 2017, ano dos mais severos incêndios rurais de que há memória, a área ardida em Portugal representou 41% de todo o território europeu devastado pelo fogo. Para além das perturbações causadas pelas alterações climáticas, os números refletem mudanças significativas de utilização do espaço rural.

Comparando os cinco países mediterrâneos cujo clima e a geografia mais se assemelham (Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia), Espanha foi o país com mais área ardida nos anos 80 e 90, mas desde 2000 que Portugal viu a sua área ardida aumentar. Entre 2000 e 2017, Portugal foi o país europeu (EU-28) com mais área ardida, segundo o European Forest Fire Information System (EFFIS). Este lamentável recorde sucedeu-se em vários anos, com particular relevância em 2013, 2016 e 2017.

O ano de 2017 foi o mais dramático de que há registo: o território nacional devastado pelo fogo representou 41% de toda a área ardida na Europa. Do total nacional de 2017, cerca de 54% ardeu em outubro devido a condições climatéricas extremas: uma onda de calor e ventos fortes causados pelo furacão Ophelia, numa altura em que o país se encontrava já em situação de seca.

Fonte: EFFIS – Relatório Anual 2017

Fogo consumiu 1,5 milhões de hectares de floresta portuguesa em 20 anos

Em 20 anos (de 1998 a 2017) perderam-se mais de 1,5 milhões de hectares de floresta portuguesa, cerca de 48% da área total ardida neste período, de acordo com os dados divulgados pelo Pordata.

Nestas duas décadas, as espécies mais afetadas pelo fogo foram o pinheiro-bravo e o eucalipto (média de 13,2% e 11,3%, respetivamente), de acordo com dados do Instituto de Conservação da Natureza (ICNF) recolhidos pela Celpa – Associação da Indústria Papeleira. Segundo refere esta associação no seu Boletim Estatístico 2017, na década 2008-2017 os matos e pastagens foram a ocupação do solo mais afetada pelos incêndios, com uma média de 46,4% da ardida. Na floresta, o pinheiro e o eucalipto voltaram a ser as espécies mais afetadas (médias de 17,9% e 16,8%, respetivamente).

Fonte: EFFIS – Relatório Anual 2017 e Pordata
Fonte: Pordata

A expansão e abandono do espaço rural, os aumentos da carga combustível, das ignições e da temperatura, assim como a irregularidade da precipitação são vistos com os quatro fatores centrais que estão a aumentar o risco de incêndio em Portugal e no resto da Europa mediterrânica.

Por sua vez, a desflorestação e a degradação das áreas florestais contribuem para as emissões de gases com efeito de estufa, que estão na base das alterações climáticas.

As perturbações nos ecossistemas causadas pelo abandono e pelos incêndios rurais favorecem a instalação de plantas invasoras, com impactes no ambiente, economia e saúde.

O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.

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