Aos 112 anos, os vinhos verdes querem sair da “borda da piscina”

Aos 112 anos, os vinhos verdes querem sair da “borda da piscina”

Mais valor do que volume e consumo o ano inteiro. A comemorar o 112.º aniversário da demarcação, a região aponta ao aumento da qualidade do vinho verde e conta superar a pandemia sem perdas nas vendas e com ganhos na exportação.

Impulsionada até aqui sobretudo pelas vendas em volume e pela forte presença no mercado – é a segunda maior do país tanto a nível interno como externo, a seguir ao Alentejo e ao Douro, respetivamente –, a centenária região dos vinhos verdes aponta agora à maior valorização do produto. Aproveitando a renovação das vinhas e o surgimento de uma nova geração de enólogos e produtores, quer aumentar a qualidade e também os momentos de consumo.

“O vinho verde não é [só] um vinho de verão, para se beber na borda da piscina. Se temos vinhos mais jovens e alegres, também temos loureiros, alvarinhos, avessos e outras tantas variedades, que dão vinhos mais complexos e mais ricos e que podemos harmonizar com todas as gastronomias ao longo do ano. O vinho verde é um vinho para os 12 meses do ano”, decretou Manuel Pinheiro, presidente desta comissão de viticultura (CVRVV).

Falando na sessão solene que assinalou o 112.º aniversário da publicação da Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908, que demarcou a Região dos Vinhos Verdes, o responsável sublinhou a importância económica e social de uma atividade que envolve centenas de empresas e milhares de empregos. E lembrou que no terreno, onde se multiplicam os projetos e as “oportunidades” no enoturismo, estão por estes dias mais de 15 mil pessoas, espalhadas por 48 concelhos, a vindimar cerca de 100 mil toneladas de uvas.

Compras alemãs e americanas na pandemia

Num ano marcado pela pandemia de covid-19, mas que promete ser “muito bom” em termos vitícolas, Manuel Pinheiro sublinhou aos jornalistas que “tudo indica que [vai] fechar o ano sem perdas nas vendas”. Com mais de 50% da faturação assegurada em 107 mercados internacionais – há duas décadas pesavam apenas 15% -, as vendas prosseguiam em terreno positivo até ao final de julho, a recuperar já dos meses “dificílimos” de abril e maio, suportadas num crescimento próximo dos 10% na exportação e alimentado sobretudo pelas compras da Alemanha e dos EUA.

“O ano de 2020 não está a ser fácil e 2021 se calhar também não será. O que marca as nossas vendas este ano é a disparidade entre os produtores que dependiam mais dos restaurantes e dos hotéis – que são sobretudo os mais pequenos e de maior valor; e, por outro lado, os mercados de exportação e as grandes superfícies e a grande distribuição, que têm ajudado a impulsionar o negócio”, resumiu o líder da CVRVV.

Entendemos que haja algumas limitações ao consumo de álcool [devido à covid], mas esperamos poder voltar rapidamente à liberdade de venda e ao consumo responsável.

Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes

Na presença de Nuno Russo, secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Manuel Pinheiro declarou ainda que “embora [entenda] bem por que é que no âmbito da covid há algumas limitações ao consumo de álcool”, nomeadamente a proibição da venda a partir das 20h, “os vinhos são uma parte natural da dieta e da alimentação” nacional. “Esperamos poder voltar rapidamente à liberdade de venda e ao consumo responsável”, concluiu.

Na linha da frente na vinha nova e reestruturada No último programa VITIS, o regime de apoio à reestruturação e reconversão da vinha, a região dos vinhos verdes teve mais de mil candidaturas aprovadas, num total de 13,9 milhões de euros, que englobaram uma área total de vinha a reestruturar de 1.224 hectares. Estes dados foram avançados pelo secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, notando que esta foi “a segunda maior região em termos de apoio, logo atrás do Douro”. Nesta visita ao Porto, onde decorreu a cerimónia dos 112 anos da região demarcada, Nuno Russo destacou os apoios públicos de 18 milhões de euros para enfrentar a pandemia e fez ainda contas ao concurso para novas plantações de vinha em 2020. O Minho tem a maior área contemplada (296 hectares), correspondendo a 15% de toda a área distribuída a nível nacional, o que, segundo o governante, “mostra a atratividade do investimento” nos vinhos verdes.

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