Angola quer aprender com o Chade a melhorar produção agrícola em áreas desérticas

Angola quer aprender com o Chade a melhorar produção agrícola em áreas desérticas

O Presidente de Angola, João Lourenço, que recebeu esta quinta-feira o seu homólogo do Chade, Idriss Déby Itno, apelou à partilha de experiências entre os dois países, designadamente no que respeita à agricultura praticada em áreas desérticas.

O Chade por ser em grande parte constituído por um deserto e sofrer com a falta de recursos hídricos, problemas agravados pelas alterações climáticas, desenvolveu técnicas para aprimorar a agricultura em áreas desérticas e para o tratamento de doenças raras”, destacou o chefe de Estado angolano.

Para João Lourenço, a partilha desta experiência seria “extremamente útil para debelar situações” como as que se vivem atualmente no sul de Angola, afetado pela seca.

O Presidente angolano, que falava no final de um encontro oficial como Idriss Déby Itno, no Palácio Presidencial, salientou o empenho do Governo em reforçar a cooperação bilateral para aproveitar as “enormes potencialidades em termos de recursos naturais e humanos”.

Neste âmbito, vão ser assinados acordos “que se traduzam em ações concretas, abrangendo setores como os do ensino, das ciências, da tecnologia de informação, do empreendedorismo, do ambiente, dos transportes, da energia e águas, da construção civil, dos recursos naturais, da indústria, da agricultura, do turismo, da defesa, da saúde e da cultura”.

O chefe de Estado sublinhou que os empresários chadianos podem, por isso, “encontrar no mercado angolano grandes oportunidades de negócios, quer de forma direta, quer em parceria com empresas públicas e privadas angolanas”.

A visita de Idriss Déby Itno constitiu uma “ocasião soberana” para reforçar a relação política e diplomática e dar “uma nova dinâmica” à cooperação, realçou, lembrando que muitos cidadãos chadianos “escolheram Angola para viver, trabalhar e constituir família”, sendo salutar que possam sentir-se “como no seu próprio país”.

Os dois países começam a conseguir eliminar as assimetrias que foram sendo criadas com os “momentos críticos e conflituosos” que viveram após as respetivas independências, frisou.

Apesar das políticas que vêm sendo adotadas em Angola, João Lourenço admitiu que “muito ainda há por realizar”, em especial na diversificação da economia, aumento da produção interna de bens e de serviços e aumento de empregos, uma luta que “deve ser acompanhada pela luta permanente contra a corrupção e a impunidade”.

O chefe de Estado angolano encorajou o Presidente do Chade a manter os esforços para debelar os “males internos” daquele país, como o terrorismo, a violência interétnica e a seca, elogiando o “firme combate” que Idriss Déby Itno tem travado contra “as ameaças das organizações extremistas que operam na região, que provocam o caos e a desestabilização e causam a perda de valiosas vidas humanas”.+

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O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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