Ambientalistas apreensivos com regadio no rio Tejo

Ambientalistas apreensivos com regadio no rio Tejo

A organização ambientalista Associação Natureza Portugal (ANP), parceira da internacional WWF, questionou esta terça-feira o ministro da Agricultura sobre um projecto de regadio no rio Tejo, lançando dúvidas sobre a viabilidade e exigindo mais informação.

Numa carta enviada a Capoulas Santos, a ANP/WWF (World Wide Fund for Nature) afirma-se apreensiva em relação à iniciativa e à ausência de mais informações, considerando ser essencial o envolvimento das associações ambientalistas, segundo um comunicado divulgado pela organização.

Na quinta-feira, fonte do Ministério da Agricultura disse que vai ser lançado um concurso público para os primeiros estudos de viabilidade do projecto de regadio do Tejo, um investimento estimado em 4,5 mil milhões de euros para levar água às regiões do Oeste, Ribatejo e Setúbal.

Fonte oficial do Ministério da Agricultura disse à agência Lusa que foi disponibilizada uma verba de 400 mil euros, foi elaborado o caderno de encargos do procedimento e, “dentro de dias”, vai ser lançado o concurso para a elaboração dos primeiros estudos de viabilidade.

“Vivemos um momento de seca e de escassez estrutural no nosso país (…). Esta escassez deve-se ao aumento da nossa necessidade de água para usos diversos e está a ser agravada pelas alterações climáticas. Sendo que 70% do uso de água em Portugal é destinado à agricultura, é essencial que façamos uma melhor gestão da água que temos disponível, e isso passa, em larga escala, por deixarmos de investir em grandes regadios em zonas de escassez ou sempre que estes não fizerem um uso frugal e eficiente da água”, afirmou Ângela Morgado, directora executiva da ANP/WWF, citada no comunicado, no qual defende a aposta na eficácia de regadios já existentes.

A associação diz que actualmente a escassez de água é moderada a severa, alerta que os cenários climáticos confluem para uma redução das disponibilidades de água, e acrescenta: “As pressões hidromorfológicas na bacia do Tejo, que hoje possui mais de 2400 barreiras a fragmentarem os seus cursos de água, são outro facto a considerar, assim como a poluição pontual (descargas de águas residuais) e difusa (relacionada com a agricultura) que são, de longe, as mais significativas.”

No comunicado cita-se ainda Afonso do Ó, especialista em Água e Alimentação na ANP/WWF, para dizer que o regadio da escala preconizada vai “no sentido oposto” a toda a legislação europeia e que pode mesmo violar a Directiva Quadro da Água.

O financiamento público de um novo regadio numa das principais bacias hidrográficas de Portugal, “com utilizações variadas e intensivas de água para o consumo doméstico, industrial e agrícola”, como é a bacia do Tejo, é “um projecto que precisa de ser questionado em todas as suas dimensões” —económica, social e ambiental, diz a ANP/WWF.

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