Agricultores do Alto Alentejo “apreensivos” por  falta de chuva

Agricultores do Alto Alentejo “apreensivos” por falta de chuva

A Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre mostrou-se esta quinta-feira “apreensiva” devido à falta de chuva na região, considerando que a situação poderá comprometer o desenvolvimento das pastagens e das culturas instaladas de Outono/Inverno.

“Estamos em pleno inverno e o mês de Dezembro não foi normal. Começa a preocupar-nos um bocadinho esta situação”, afirmou a presidente da associação de agricultores, Fermelinda Carvalho, em declarações à agência Lusa.

Segundo relatou a responsável associativa, as pastagens naturais, “já nascidas”, e as culturas de Outono/Inverno podem ficar “comprometidas” caso não chova nas próximas semanas.

“As culturas estão nascidas, umas maiores, outras mais pequenas, depende da época de sementeira de cada agricultor e de cada cultura, mas se não chover no mês de Janeiro pode ficar comprometido o desenvolvimento das searas e das pastagens”, alertou. “A situação não é dramática, mas estamos apreensivos, porque não se perspectivam nos próximos dias tempos chuvosos, o que era bom”, disse.

A presidente da associação de agricultores mostrou-se ainda preocupada com o futuro das reservas de água nas albufeiras, uma vez que esta altura do ano seria a época de armazenamento para garantir, depois, o abeberamento dos animais. “Nesta altura não há problemas de abeberamento, mas fazia falta chover a sério. Não está a ser em termos de precipitação um ano fantástico“, sublinhou.

Com sementeiras de triticale e cevada no terreno, a agricultora Maria João Valentim também considerou que seria “importante” a chegada das chuvas aos seus campos situados nas zonas de Arronches e de Barbacena, no concelho de Elvas, distrito de Portalegre. “Tivemos um Outono bom, mas para estas culturas já seria necessário que chovesse”, lamentou.

Portugal continental estava no final de Dezembro em seca meteorológica fraca a sul do Tejo devido aos baixos valores de precipitação registados naquele mês, classificado como quente e muito seco, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

De acordo com índice meteorológico de seca (PDSI) disponível no site do IPMA, a 31 de Dezembro, 53,3% do território estava na classe de seca fraca, 13,7% na classe normal e 33% na classe de chuva fraca. A 30 de Novembro, 9,8% do território estava na classe normal, 89,6% em chuva fraca e 0,6% em seca moderada. O IPMA classifica em nove classes o índice meteorológico de seca, que varia entre “chuva extrema” e “seca extrema”.

Segundo o Boletim Climatológico do IPMA, o mês de Dezembro em Portugal Continental classificou-se como quente em relação à temperatura do ar e muito seco em relação à precipitação. O valor médio da temperatura média do ar (10,58 graus Celsius) foi superior ao normal, sendo o 3.º valor mais alto desde 2000.

O IPMA indica também que valores da temperatura média superiores aos registados a Dezembro de 2018 ocorreram em cerca de 20% dos anos, desde 1931. “O valor médio da temperatura máxima do ar, 15,21 graus, foi superior ao normal, sendo o 3.º valor mais alto desde 1931 (maiores valores em 2015 e 2016)”.

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