A inseminação artificial em coelhos

A inseminação artificial em coelhos

A inseminação artificial em coelhos é uma técnica de reprodução animal que apresenta como principais vantagens o controlo da qualidade do sémen, a diminuição do número de machos reprodutores na exploração, a sua seleção e consequente melhoramento genético da raça, a sincronização das parições e a planificação do maneio reprodutivo, bem como evita a transmissão de doenças.

O macho desempenha um papel primordial no êxito de uma exploração cunícola, uma vez que condiciona, em média, o rendimento produtivo de dez fêmeas. Em geral, as primeiras tentativas de cobrição realizam-se aos 100 dias de idade, apesar da maturidade sexual ocorrer aos 4/5 meses.

Através do processo de centrifugação, o sémen decompõe-se em duas frações distintas: plasma seminal e espermatozoides.

As características do sémen podem ser afetadas por vários fatores:

– Idade: o volume e a concentração espermática aumentam com a idade, melhorando a fertilidade e a prolificidade;

– Ritmo de recolha: o volume diminui com o número de colheitas e a concentração espermática aumenta da 1.ª para a 2.ª, para depois diminuir;

– Temperatura: as elevadas temperaturas afetam a fertilidade, ao provocarem uma quebra da mobilidade espermática e a diminuição da líbido.

O controlo da qualidade do sémen é muito importante para o êxito da inseminação artificial. A sua colheita faz-se através de uma vagina artificial aquecida a 43ºC, mantendo o macho na sua jaula e usando, para tal efeito, um manequim ou uma fêmea.

Após a obtenção do ejaculado, dever-se-ão realizar dois tipos de exames:

1 – Exame direto, efetuado por observação direta do ejaculado no tubo coletor, através do qual se analisa o volume, a cor, a consistência, a viscosidade e a presença ou não de gel procedente das secreções vesicular e da próstata. Enquanto que na cobrição natural este gel coagula na vagina, impedindo que os espermatozoides saiam para o exterior, na inseminação artificial torna-se prejudicial, porque exerce um efeito aglutinador sobre os mesmos, reduzindo-lhes fortemente a sua mobilidade. Por isso, torna-se necessário eliminá-lo antes de se proceder a qualquer valorização do sémen. Posteriormente, observa-se o volume do ejaculado. A cor normal é esbranquiçada e mais ou menos opaca, variando segundo a concentração espermática.

2 – Exame técnico, mediante observação microscópica, para analisar várias características como sejam a mobilidade, a concentração espermática e a presença ou não de formas anormais. A mobilidade dos espermatozoides é um dos elementos mais importantes para determinar a qualidade do sémen. Estes movem-se graças à contração do filamento axial da cauda. O movimento característico é progressivo e retilíneo, considerando-se como defeituosos os movimentos circulares. Um sémen de boa qualidade deve ter no mínimo 60-70% de espermatozoides móveis, dos quais mais de 50% com movimentos retilíneos.

A concentração varia segundo a raça e o indivíduo, podendo oscilar entre 50-500 milhões de espermatozoides por mililitro, considerando-se como aceitável a partir de 250 milhões.

O recurso a preparações coloradas permite detetar anomalias morfológicas que podem afetar a qualidade do sémen sendo, no entanto, aceitável uma percentagem até os 25%.

Uma vez comprovada a qualidade do sémen, procede-se à sua diluição de 1/10. Os meios de diluição devem apresentar uma pressão osmótica isotónica, pH neutro e conter substâncias nutritivas. Devem estar a uma temperatura de 37ºC, de modo a evitar o choque térmico no momento da diluição. A adição de antibióticos é conveniente para evitar a contaminação bacteriana, tanto do sémen como do aparelho genital feminino.

A coelha apresenta características reprodutivas diferentes das outras espécies zootécnicas, derivadas da ausência de um ciclo éstrico definido e regular e de mecanismos reflexos que originam uma ovulação induzida pelo coito. As manifestações externas de cio são pouco percetíveis e variáveis, exceto na coloração da vulva. A máxima aceitação ocorre para vulvas avermelhadas e o estado de turgência é favorável à cobrição. Durante a lactação ocorrem períodos importantes de baixa atividade sexual.

Quando se recorre à inseminação artificial é necessário induzir a ovulação devido à ausência dos estímulos provocados pelo macho aquando da cobrição. Para tal, poder-se-á utilizar machos vasectomizados, inférteis, ou então efetuar tratamentos hormonais. A deposição do sémen faz-se no fundo da vagina, por intermédio de uma pipeta apropriada contendo 0.5 a 1 ml.

Pedro Fontes Sampaio
Direção de Serviços de Desenvolvimento Pecuário
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

O artigo foi publicado originalmente em DICAs.

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