A importância dos fertilizantes de síntese para a modernização sustentável da agricultura – Tomás Roquette Tenreiro

A importância dos fertilizantes de síntese para a modernização sustentável da agricultura – Tomás Roquette Tenreiro

1. Introdução: a importância da fertilização

Dependemos hoje mais do que nunca da agricultura como fonte de alimentação, de fibra e de energia. Três necessidades primárias para a nossa sobrevivência enquanto espécie e enquanto civilização[1]. Sabemos que foi graças à modernização da agricultura e aos avanços da fertilização que se diminuiu drasticamente a indisponibilidade alimentar no Mundo, permitindo à humanidade atingir os elevados níveis de progresso e prosperidade que caracterizaram principalmente as últimas sete décadas[2,3].

Por aplicação do princípio da conservação da massa, um sistema agrícola sustentável tem inevitavelmente que garantir o equilíbrio ao nível do balanço de nutrientes para não comprometer os níveis de produção que permitem a sua viabilidade agronómica a curto, médio e longo-prazo[4]. Por viabilidade agronómica entenda-se o conjunto de orientações e decisões técnicas que assegurem produção, benefício económico e valor ambiental. Na ausência de aplicação de nutrientes, um solo agrícola tende a reduzir a sua fertilidade com o tempo porque as saídas de nutrientes do sistema (seja por meio das extrações por parte da cultura ou através de perdas maioritariamente por lixiviação) acabam por exceder as quantidades disponibilizadas para as plantas de forma natural (Figura 1)[5]. Deste modo, a incorrecta fertilização, que incumpre o respeito pelo equilíbrio do balanço de nutrientes (por insuficiente ou por excessiva aplicação), condiciona inevitavelmente a viabilidade agronómica de um sistema agrícola, seja por perda de capacidade produtiva, seja pela redução tanto de benefício económico como de valor ambiental.

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Tomás Roquette Tenreiro
Eng.º Agrónomo, investigador no CSIC e consultor independente integrado na equipa Agroges/ANPIFERT


1. Connor & Mínguez (2012).
2. Tenreiro (2019).
3. Borlaug & Dowswell (1993).
4. Sojka et al. (2003).
5. Loomis & Connor (1992).
6. Loomis & Connor (1992).

O artigo foi publicado originalmente em AGRO.GES.

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