A dinâmica populacional no controlo da Vespa do Castanheiro (Dryocosmus Kuriphilus Yasumatsu) – luta biológica clássica

A dinâmica populacional no controlo da Vespa do Castanheiro (Dryocosmus Kuriphilus Yasumatsu) – luta biológica clássica

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Atendendo ao tipo de controle – luta biológica clássica (LBC inoculativa) – é fundamental que se acompanhe e avalie o funcionamento e comportamento desta medida de controle, sendo certo que:

a. Nunca deverá ser atingida uma situação de erradicação da praga (apenas o seu controlo dentro de parâmetros aceitáveis, relativamente ao estado sanitário e a rentabilidade económica dos soutos);

b. A curva de controlo periódico anual deve naturalmente variar e sofrer oscilações, de acordo com a dinâmica populacional das duas populações (vespa nociva e respetivo parasitoide), populações essas que vivem em interdependência absoluta, atendendo a que o parasitoide mantém uma relação de exclusividade com a praga;

c. Muito provavelmente, ocorrerão ciclos de 2 a 3 anos com a praga mais controlada e, esporadicamente, um período em que a praga se apresenta com maior incidência. A duração e periodicidade destes ciclos dependerá de vários fatores, nomeadamente a dinâmica populacional das duas espécies, a prevalência de condições climatéricas favoráveis/desfavoráveis para os insetos intervenientes, os fatores genéticos associados à maior suscetibilidade de alguns soutos e, por último, mas não com menor relevância, a existência de soutos em locais com microclimas que possam fazer com que determinadas explorações se revelem como outsiders em zonas onde a praga se encontra controlada (tal como no caso em apreço);

dinamica populacional controlo vespa do castanheiro 3

d. A existência destes ciclos de controle vs. maior incidência da praga é justificada pela LBC, único método viável para combater o problema a nível internacional e nacional, e entende-se facilmente, atendendo a que o controlo da praga é realizado via outro inseto, cuja próxima geração depende da quantidade de alimento (número de galhas de vespa nociva existentes nos soutos). Assim, a um maior número de galhas corresponderá naturalmente no próximo ano um maior número de parasitoides, o que irá corresponder a um maior índice de controlo da praga. Inversamente, às zonas em que o número de galhas é menor, corresponderá um menor índice de controlo da praga no ano seguinte;

e. É neste tipo de relação próxima e específica entre a praga e o parasitoide que se estabelece o equilíbrio natural em que periodicamente um predomina sobre o outro;

f. Portanto, o desfasamento temporal entre a dinâmica populacional da praga vs. parasitoide e, consequentemente, entre o melhor ou pior estado dos soutos é um fenómeno natural e expetável, sendo fundamental a monitorização e acompanhamento destas populações, para intervir cirurgicamente nas situações e/ou locais onde se manifeste maior desequilíbrio (veja-se o exemplo análogo de dinâmica populacional de cobras vs. ratos, sendo que, no caso das vespas e face à relação de exclusividade que mantêm, as oscilações esperadas serão com maior intensidade).

Teresa Vieira da Luz
Direção de Serviços de Desenvolvimento Agronómico
Direção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural

O artigo foi publicado originalmente em DICAs.

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