A Agrovete escolhe, ensaia, multiplica e disponibiliza as melhores variedades aos agricultores

A Agrovete escolhe, ensaia, multiplica e disponibiliza as melhores variedades aos agricultores

Fernando Carpinteiro Albino tem 75 anos e é agricultor há 40, quando tomou conta da Herdade Torre do Frade (Monforte) depois da Reforma Agrária e que nas suas próprias palavras “fez renascer das cinzas”.
Sempre com o cuidado de estar na agricultura de uma forma muito prática e tanto quanto possível, atento às evoluções do setor, conseguiu criar um Grupo empresarial de que muito se orgulha, mantendo-se de cariz familiar mas com uma postura ativa, onde não só se cultiva a família como também o presente e o futuro.
É um nome incontornável da agricultura nacional, pelos cargos que já ocupou em diversas organizações, algumas das quais foi cofundador, mas também pela acérrima defesa que faz à produção nacional, nomeadamente dos cereais, que aliás ocupam grande parte dos solos da sua exploração agrícola. Trigo mole, trigo duro e triticale são culturas bastante significativas para a empresa, muitas vezes consociadas com a colza nas rotações culturais.
Mas, logo para início de conversa, Carpinteiro Albino assume-se adepto de organizações socioprofissionais, como a Associação Nacional de Produtores de Cereais (ANPOC) tal como da utilização de sementes certificadas e da proximidade entre quem utiliza e quem produz essas sementes porque só assim é possível estabelecer a confiança necessária para desenvolver o trabalho. A Agrovete representa esta premissa na perfeição, “por ser uma empresa preocupada em inovar, levar esse conhecimento aos produtores e colaborar com as organizações socioprofissionais, do que é exemplo máximo a Lista de Variedades Recomendadas”.
Mas o que é que diferencia a Agrovete? Em palavras rápidas o seu diretor, Luís Albuquerque, explica que a Agrovete escolhe, ensaia, multiplica e disponibiliza as melhores variedades aos agricultores. Um trabalho que vem de longe porque a Agrovete de hoje é o resultado da fusão em 2010 entre a Proselecte, Agrovete (tem 57 anos) e da Sulsem, sendo nesta última que está alicerçado grande parte do atual fluxo da empresa (multiplicação de sementes de cereais, importação e representação de marcas em Portugal).
Importa referir ainda outra área de negócio referente a equipamentos para animais, nomeadamente robôs de ordenha e ordenhas tradicionais (SAC) e cercas elétricas (Gallagher) aptas inclusivamente para vedar as explorações contra a invasão de javalis.
Voltando aos cereais, porque é aqui que a empresa tem grande parte do seu investimento, Luís Albuquerque faz questão de frisar que a indústria aconselha os agricultores a semearem variedades que a Agrovete comercializa, bem espelhado nas várias Listas de Variedades Recomendadas (cevada dística, trigo duro e trigo mole). Refira-se que para ali constarem as variedades estão sujeitas a avaliações fenológicas e agronómicas por entidades independentes, nomeadamente o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Beja, enquanto que para as avaliações de qualidade tecnológica ainda se juntam as empresas que irão transformar os cereais.

Indústria aconselha os agricultores a semearem variedades que a Agrovete comercializa

E é com muita satisfação que Luís Albuquerque frisa que no caso da LVR para cevada dística, em quatro variedades recomendadas, três são comercializadas pela Agrovete (“Pewter, “Sanette” e “RGT Planet”). As Listas de trigos são mais recentes mas também aí a empresa tem uma presença bastante expressiva. No Trigo Mole destaca-se a “Antequera” e “Valbona” e no Trigo Duro, a “Don Ricardo” e “Don Norman”.
Neste momento a Agrovete faz multiplicação de sementes em cerca de 1500 hectares, em parceria com agricultores, a quem fornece o R1 (ou outras categorias) e a quem depois compra o cereal que seleciona (cerca de 10% é lixo), certifica e distribui. Neste momento, na ordem dos 25% daquilo que produz é vendido para Espanha (essencialmente triticale e trigo mole).

Trigo Duro Don Ricardo

Sobre o porquê da multiplicação, Luís Albuquerque explica que historicamente sempre houve uma indústria da semente certificada em Portugal e “hoje, mais que nunca, faz sentido produzirmos junto dos campos que semeamos, existindo mercados muito específicos para dar resposta”. Conhecedor profundo do processo sabe bem que o comportamento de uma variedade é diferente no Norte ou no Sul do Alentejo.
A abordagem da Agrovete tem sido primeiro testar, depois multiplicar e a seguir disponibilizar à produção. Obviamente que a empresa também tem necessidade de importar semente, embora tente produzir entre 70 a 80% daquilo que vende. Reconhece que ao contrário do que acontece com Carpinteiro Albino, a maior parte dos agricultores não planifica com a antecedência necessária que possibilite à empresa produzir mais ou menos semente em função desses números e até as próprias Listas de Variedades são divulgadas muito perto do momento de se iniciarem as sementeiras, pelo que tem de ir “tentando acertar”.
Assim, são estabelecidas outras parcerias, neste caso em Espanha, seja para adquirir matéria-prima quando tem falta dela, seja para escoar o que sobra. Note-se que depois de embalada esta semente não pode ter outras utilizações face aos tratamentos a que foi sujeita.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 231 (novembro 2019)

O artigo foi publicado originalmente em Voz do Campo.

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