Uma marca única, novas embalagens e normas de qualidade são os principais eixos de um novo projeto de valorização de produtos locais do nordeste algarvio, disse à Lusa o presidente da cooperativa Guadimonte.
A estratégia, que abrange seis produtos – figo passa (seco), miolo de amêndoa, medronho, queijo curado de cabra algarvia, farinha de alfarroba e mel –, integra-se no projeto PAVIPANA – Passas do Algarve, promovido pela cooperativa sediada no concelho de Castro Marim, distrito de Faro, em parceria com a Universidade do Algarve (UAlg), revelou Valter Matias.
Os agricultores da zona do Baixo Guadiana pretendem “ganhar mais escala” em conjunto para “pôr alguns produtos no mercado”, uma vez que atualmente vendem a granel, em quantidades e preços reduzidos, porque “não têm forma de embalar ou comercializar”, disse.
Em vez de “cada um estar a vender por si”, o objetivo passa por “garantir a sustentabilidade futura da cooperativa juntando a produção e a comercialização”, sublinhou o presidente da Guadimonte, que reúne uma dúzia de cooperadores, “na maioria entre os 40 e os 50 anos”.
Uma das vertentes do projeto passa pela valorização dos recursos através da análise físico-química e do controlo de qualidade dos produtos, com a investigação a cargo da UAlg, que permitirá “assegurar normas de qualidade” e “cadernos técnicos de boas práticas”.
No caso do mel, serão analisados “vários parâmetros específicos, como índices de humidade ou de pólen”, enquanto no caso do figo vão “comparar-se variedades e condições de colheita, entre os apanhados da árvore e os que caem no solo”, exemplificou Valter Matias.
Na área do ecodesign, o PAVIPANA abrange o desenvolvimento de “uma marca única e aglutinadora”, aproveitando a expressão popular “Passas do Algarve”, e a criação de embalagens “que combinem a necessidade de conservação dos produtos com as matérias-primas” da região.
Está também prevista a criação de uma plataforma de venda ‘online’ gerida pela cooperativa algarvia, que no eixo da sustentabilidade pretende ainda certificar as suas produções, calculando a pegada de carbono e energética.
“No final do projeto, com normas de qualidade, uma marca e protótipos de embalagens para cada produto, poderemos avançar para a comercialização através de operadores externos, mas também já estamos a trabalhar para termos unidades de transformação e embalamento”, resumiu Valter Matias.
A Guadimonte – Cooperativa Agrícola Supramunicipal foi criada no final de 2021, na sequência de um incêndio que em agosto desse ano destruiu cerca de 6.000 hectares da serra algarvia, envolvendo na altura uma dúzia de produtores de Castro Marim.
O número de cooperadores mantém-se igual, cinco anos depois, representando em conjunto “um valor de pelo menos 200 mil euros anuais em vendas”, estimou Valter Matias, mas o projeto pretende envolver produtores de concelhos limítrofes.
“Queremos trabalhar com mais produtores, com quem já está no território. Há muitos contactos com agricultores de Alcoutim e da serra de Tavira, que, aliás, já ajudamos, com uma técnica contratada, a resolver problemas burocráticos, como licenças para furos e abate de árvores”, referiu.
Depois do incêndio de 2021, acrescentou, a Guadimonte fez parcerias com agricultores mais idosos “que já não cultivavam as suas pequenas parcelas” e conseguiu aproveitar 32 hectares para reflorestação, onde se plantaram alfarrobeiras e medronheiros, “tudo em modo de produção biológica”.
O PAVIPANA conta com um investimento global de cerca de 438 mil euros até 2029, com 80% da verba financiada pelo programa operacional Algarve 2030.
O lançamento oficial do projeto decorre no sábado, às 15:00, no Centro de Dinamização das Cumeadas do Nordeste Algarvio, na antiga escola primária da Corte Pequena, em Castro Marim, onde está situada a sede da cooperativa.















































