A Associação de Agricultores do Vale do Mondego alertou hoje para os riscos da viabilidade das explorações agrícolas decorrentes do “brutal aumento dos custos de produção”.
Numa nota de imprensa enviada à agência Lusa e assinada pelo presidente daquela estrutura, João Monteiro Grilo, esclarece-se que os agricultores do Vale do Mondego manifestaram apoio à posição assumida pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que exige ao Governo a disponibilização urgente de um pacote adicional de 140 milhões de euros em medidas de apoio aos agricultores portugueses.
Estes profissionais garantiram, naquela informação enviada à Lusa, que “o brutal aumento dos custos de produção — designadamente combustíveis, fertilizantes, energia, sementes, agroquímicos e outros meios indispensáveis à atividade agrícola — tem vindo a comprometer seriamente a rentabilidade e, em muitos casos, a própria viabilidade das explorações agrícolas nacionais”.
“É necessário ter em consideração que a produção agrícola no Baixo Mondego assenta, em grande medida, em explorações de menor dimensão e escala, com estruturas de custos e capacidades de produção muito diferentes das de outros mercados. Não é sustentável exigir aos agricultores que cumpram elevados padrões de segurança alimentar e, ao mesmo tempo, obrigá-los a competir com produtos de países terceiros, sujeitos a exigências diferentes e comercializados a preços com os quais a nossa produção não consegue competir”.
A Associação de Agricultores do Vale do Mondego considerou também que, “para além da necessária resposta imediata através de apoios extraordinários, é indispensável enfrentar um problema mais profundo e estrutural: a crescente perda de competitividade da produção agrícola portuguesa e a incapacidade de repercutir nos preços pagos à produção o aumento dos respetivos custos”.
Os agricultores apelaram, a “uma discussão séria entre Governo, produção, indústria e restantes agentes da cadeia de valor sobre a formação dos preços agrícolas, a concorrência das importações e as condições necessárias para garantir a continuidade da produção nacional”.
“Os agricultores portugueses produzem hoje com custos substancialmente superiores, mas continuam confrontados com preços de venda que, em muitos casos, não acompanham essa realidade. Sempre que os produtores procuram obter um preço que permita remunerar adequadamente a sua produção, são frequentemente confrontados com o argumento de que existem produtos agrícolas importados, independentemente da qualidade, a preços inferiores. Não é sustentável para os agricultores do Baixo Mondego que continuem a produzir abaixo ou no limite dos seus custos enquanto, simultaneamente, se recorre à importação como referência permanente para comprimir os preços pagos à produção nacional. As ajudas são necessárias para responder à emergência, mas não substituem preços justos nem uma verdadeira estratégia de competitividade para a agricultura portuguesa”.
Em muitos casos, referiram os agricultores do Mondego, “já não existem margens positivas e há agricultores a produzir com prejuízo”.
“E há uma questão que tem de ser colocada: como é possível que quem produz suporta os custos e assume o risco não consiga fazer o preço do seu próprio produto, sendo muitas vezes o cliente a determinar quanto está disposto a pagar? Se produzir significa perder dinheiro, a consequência será inevitavelmente reduzir ou deixar de produzir, com graves repercussões em toda a economia que gravita em torno do setor primário e na capacidade produtiva do país”.
A Associação de Agricultores do Vale do Mondego associa-se à iniciativa prevista para dia 12, no Parlamento e na residência oficial do Primeiro-Ministro, e exorta igualmente à CONFAGRI e à CNA, bem como a todas as associações do setor, para que se juntem a esta reivindicação”.













































