A FEFAC, federação europeia da indústria de alimentos compostos para animais, pediu à União Europeia (UE) um plano de contingência urgente para salvaguardar o fornecimento de matérias-primas para alimentação animal, alertando que a seca, a rutura no corredor do Mar Negro e o novo regulamento contra a desflorestação ameaçam o abastecimento do setor pecuário no ano comercial de 2026/27.
O alerta consta de uma carta enviada ao ministro Martin Heydon, que preside ao Conselho de Agricultura e Pescas (AGRIFISH) no âmbito da Presidência irlandesa do Conselho da UE.
Segundo a federação, o efeito combinado de três pressões excecionais está a ameaçar as cadeias de abastecimento de fontes de fibra, energia e proteína para alimentação animal: a seca severa do verão, a interrupção do fornecimento de cereais ucranianos através do corredor do Mar Negro e a entrada em aplicação iminente do Regulamento da UE contra a Desflorestação (EUDR).
O impacto destas pressões aumenta de forma significativa o risco de rutura no fornecimento de matérias-primas essenciais, afirma a carta. O presidente da FEFAC, Nicolas Coudry-Mesny, alerta que a escassez e o aumento dos custos podem comprometer a viabilidade da produção de leite, carne de suíno e de aves na UE, agravar a inflação dos preços dos alimentos e aumentar a dependência de importações de produtos de origem animal.
A federação insta a Comissão Europeia e os Estados-Membros a criarem um plano de contingência antes do final de 2026, que identifique todas as medidas disponíveis para mitigar a menor disponibilidade interna de cereais para alimentação animal e para responder às restrições ao abastecimento a partir do Mar Negro, em particular de milho e de farelos de oleaginosas.
A FEFAC pede ainda que o plano reduza as complexidades de abastecimento associadas à aplicação do EUDR a ingredientes essenciais, nomeadamente o farelo de soja e o farelo de palmiste. Segundo a federação, estas dificuldades podem levar à rutura da cadeia de abastecimento e à perda de acesso a importações vitais para o setor.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.














































