A estratégia 2028-2034 do setor da suinicultura canaliza 450 milhões de euros para sete objetivos centrais, destacando-se um fundo para catástrofes e a aposta no aumento da autossuficiência de 65% para 80% e no rejuvenescimento da atividade.
Atualmente em negociação com o Governo, a estratégia delineada pela Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) vai ser apresentada na 27.ª Feira Nacional do Porco, que decorre de hoje até sábado no Parque de Exposições do Montijo, sob o mote “A Suinicultura está no Ponto” e pela primeira vez com organização conjunta de toda a fileira da carne de porco: FPAS, Iaca (Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais), APIC (Associação Portuguesa de Industriais de Carne) e Filporc (Organização Interprofissional da Fileira da Carne de Porco).
Entre os sete objetivos da nova estratégia setorial, a FPAS destaca a constituição de um fundo para catástrofes – que deverá ser financiado em 25% pelos suinicultores, 25% pelo Estado português 50% pela União Europeia -, o aumento da autossuficiência do setor de 65% para 80% e o rejuvenescimento da atividade, reduzindo a idade média dos produtores dos atuais 65 para 55 anos.
Segundo a federação, “a estratégia já foi apresentada ao Governo, antecipando as alterações na atribuição de fundos comunitários que, a partir de 2028, vêm num envelope único, para serem geridos pelos Estados membros”.
“A FPAS antecipou-se, propondo este roteiro, para aproveitar ao máximo os recursos financeiros a serem disponibilizados nessa altura”, salientou.
A planeada criação de um fundo para catástrofes segue-se ao impacto estimado no setor de 252 milhões de euros das tempestades do início deste ano, que afetaram mais de 285 explorações (40% da capacidade produtiva do país), sobretudo na zona centro e de Lisboa e Vale do Tejo, e provocaram uma diminuição do efetivo em mais de 220.000 animais.
As exportações portuguesas de carne de porco atingiram 174 milhões de euros em 2025, que foi o terceiro melhor ano em termos de valor exportado desde 2020, tendo as vendas para o exterior representado 21,5% do volume de negócios do setor.
Segundo dados disponibilizado pela federação, 66,8% das exportações tiveram como destino a Europa (94% para Espanha), 17% África, 14% Ásia, 2% América.
A FPAS destaca ter aberto, “com participação decisiva” da Filporc, “mercados de exportação exigentes” como o Japão em 2017, a China em 2019, a Coreia do Sul em 2021 e, mais recentemente, as Filipinas e Singapura, além de vísceras para a China.
“Em 2026, até ao momento, abriram os mercados do Vietname, Malásia, além de contactos avançados com México e Tailândia”, acrescenta, detalhando que, “além dos 26 países do mercado intracomunitário, atualmente Portugal tem 28 mercados de exportação abertos para a carne de porco produzida em Portugal”.
Os dados avançados pela FPAS indicam ainda que a fileira nacional da carne de porco (rações, indústria de transformação, produção e comercialização) representa um volume de negócios de mais de 4.000 milhões de euros, o equivalente a 25% do Produto Interno Bruto (PIB) agroalimentar português, e emprega diretamente cerca de 18.000 pessoas.
O atual grau de autossuficiência (produção de animais em Portugal) é de 55%, enquanto o grau de autoabastecimento (transformação em Portugal de carne com diversas origens) é de 65%, tendo-se o consumo ‘per capita’ situado nas 40,6 quilogramas em 2025, o que faz da carne de porco a segunda mais relevante a nível nacional.
A 27.ª edição da Feira Nacional do Porco reúne 187 expositores no Parque de Exposições do Montijo e pretende dar a conhecer as três raças suínas autóctones portuguesas, assim como novos equipamentos e soluções tecnológicas para a melhoria da produtividade do setor.
Durante o evento será entregue o Prémio Inovação, que reconhece as empresas e projetos mais inovadores presentes na feira, que dispõe ainda de um pavilhão de gastronomia com produtos alimentares à base de carne de porco.














































