Finalista do prémio Melhor Agricultora Biológica da União Europeia 2026, Susana Vilar produz morangos e mirtilos numa exploração agrícola que procura também recuperar terrenos e envolver a comunidade, mas que foi severamente atingida pelo incêndio de Valpaços.
O projeto que Susana Vilar e o marido, Filipe Monteiro, esteve hoje em destaque no II Fórum da Biorregião do Alto Tâmega e Barroso, que decorre em Valpaços, distrito de Vila Real, e debate a produção, transformação, mercados e quer aproximar quem produz de quem vende ou investiga.
A agricultora de Sonim, Valpaços, não venceu o prémio de “Melhor Agricultora Biológica da União Europeia 2026”, cujos resultados foram hoje divulgados, mas foi selecionada para o “top três” e isso trouxe visibilidade para a empresa e para a região onde escolheu viver quando decidiu sair de Lisboa com a família.
A empresa Vilar da Monteirinha aposta num modo de produção biológica, respeita a envolvência e a comunidade.
O projeto procura recuperar terrenos, transformando-os em áreas agrícolas produtivas sem deixar de proteger a biodiversidade, existindo ainda uma colaboração com apicultores locais.
“Nós trabalhamos uma agricultura ecológica regenerativa”, contou à agência Lusa.
Cerca de 95% da produção é vendida diretamente ao cliente final que recebe a fruta em menos de 24 anos.
O verão foi, no entanto, difícil para a produtora que viu a exploração atingida pelo incêndio que começou em Valpaços.
Perdeu plantas de mirtilos e morangos, perdeu o sistema de rega e o embalse de água.
“Perdemos para cima de 85% da nossa exploração, temos o armazém de pé e algumas plantas, mas somos resilientes e vamos continuar”, afirmou Susana Vilar, que disse estar a recuperar o que já é possível e que se candidatou a um apoio governamental, lamentando, no entanto, a morosidade dos processos.
O fórum é promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT) e decorre em Valpaços, que venceu a edição de 2025 dos Prémios Europeus da Produção Biológica.
Este município tem cerca de 600 explorações agrícolas biológicas e é o concelho também, em termos globais, com mais produções agrícolas.
Por isso, receber o evento tem um “significado especial” para o presidente do município, Jorge Mata Pires.
O galardão internacional, atribuído há um ano, foi uma homenagem a todos os que trabalham a terra e serviu para valorizar ainda mais o modo de produção biológico.
Jorge Mata Pires realçou que uma das grandes preocupações é a renovação geracional, atrair novos agricultores, exemplificando com Valpaços, concelho que tem mais de 4.000 agricultores e em que a média de idades se situa entre os 62 e os 65 anos.
“É preciso que os jovens olhem para a agricultura como atividade de futuro”, defendeu, realçando que o desafio é produzir, diferenciar e valorizar, procurar novos consumidores e novos mercados.
O fórum junta agricultores investigadores e responsáveis públicos e, entre os temas em debate, está também a recuperação de terras abandonadas.
O presidente da Cooperativa Agrícola do Barroso (CoopBarroso), Nuno Sousa, referiu que nos últimos 10 anos tem havido uma diminuição da área de cultivo e, apesar de ter crescido a área de pastagem em baldio, decresceu o efetivo.
“Isto quer dizer que cada vez temos mais área disponível para pastoreio e menos gado para pastorear, o que gera combustível que depois traz os incêndios”, referiu.
No terreno, está a ser feito um inventário, conjuntamente com os baldios, para depois desenvolver um plano de ação de recuperação dessas áreas.
A presidente da CIMAT e da Câmara de Montalegre, Fátima Fernandes, realçou a identidade rural única deste território que agrega os concelhos de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.
O vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Paulo Ramalho, destacou a resiliência dos agricultores e defendeu a sustentabilidade ambiental, económica e social da atividade.
















































