O PS/Açores acusou hoje o Governo Regional de dar com uma “mão para logo de seguida tirar com as duas” nos apoios aos agricultores, denunciando promessas que “ficam pelo caminho” e atrasos nos pagamentos.
“Os custos continuam a subir. Há apoios que chegam tarde. Investimentos que não avançam. E compromissos que continuam por cumprir. É verdade, o Governo [Regional] não controla os mercados. Mas é responsável pelas políticas que adota, pelas promessas que faz, pelos atrasos que dependem de si e pelas respostas que prepara”, afirmou a deputada Patrícia Miranda.
A socialista falava no plenário da Assembleia Regional, na Horta, no arranque do debate de urgência sobre a situação da agricultura açoriana e o aumento dos custos no setor primário solicitado pelo PS/Açores.
Patrícia Miranda salientou que, nos últimos seis anos, os preços das rações e fertilizantes aumentaram 26% e 193%, respetivamente, enquanto o gasóleo colorido subiu quase 50 cêntimos por litro nos últimos oito meses.
“Em maio, o PS/Açores propôs um apoio de 15 cêntimos por litro para a agricultura e pescas. O Governo ficou pelos 10 cêntimos. Para, a 01 de setembro, o preço aumentar 16 cêntimos por litro. Dão com uma mão, para logo de seguida tirarem com as duas”, reforçou.
A deputada criticou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) por manter o “dinheiro nos cofres da região quando devia estar nas contas das explorações” agrícolas e defendeu que o “sucesso da agricultura não se mede pelo dinheiro anunciado”, mas pela “capacidade de manter explorações viáveis”.
A socialista visou, também, as “promessas que ficam pelo caminho”, dando como exemplos a criação de um Fundo de Garantia do Preço do Leite, o Programa Rural Açores Jovem, o Laboratório de Inovação de Produtos Lácteos e a revisão do regime jurídico das cooperativas.
“Se o preço do leite continuar a descer, onde está o Fundo de Garantia? E até onde está o Governo disposto a ir para defender o rendimento dos produtores? Os agricultores não pedem que o Governo resolva aquilo que não controla. Pedem que faça bem, e a tempo, aquilo que depende de si”, insistiu.
Patrícia Miranda defendeu a importância de “responder aos problemas de hoje” e “preparar os problemas de amanhã” porque é preciso assegurar as “respostas antes de as dificuldades se transformarem em crises”.
“Governar a agricultura e as pescas não é anunciar uma resposta depois de o problema já ter chegado”, frisou.
A Federação Agrícola dos Açores (FAA) revelou na segunda-feira que os agricultores da região vão ter acesso ao apoio de 10 cêntimos por litro ao gasóleo agrícola anunciado pela República, mas alertou que se trata de um valor insuficiente.
O parlamento dos Açores é composto por 57 deputados, 23 dos quais da bancada do PSD, outros 23 do PS, cinco do Chega, dois do CDS-PP, um do IL, um do PAN, um do BE e um do PPM.













































