Um estudo realizado nos Estados Unidos revela uma atitude recetiva dos consumidores norte-americanos em relação à informação sobre carne de porco produzida a partir de animais geneticamente editados com a tecnologia CRISPR. Os resultados apontam para uma oportunidade para cientistas e comunicadores reforçarem o conhecimento do público à medida que estes alimentos se aproximam do mercado.
✍️ Carla Amaro
Os consumidores norte-americanos parecem estar disponíveis para conhecer melhor a tecnologia CRISPR e a sua aplicação na produção de carne de porco. Esta é uma das principais conclusões de um estudo realizado por investigadores da North Carolina State University, Virginia Tech e University of California, Davis, que analisou a forma como o público procura e processa informação sobre alimentos provenientes de animais geneticamente editados.
De acordo com os resultados, os participantes apresentavam um nível moderado de conhecimento sobre a carne de porco editada por CRISPR, mas revelavam uma forte intenção de procurar mais informação e uma reduzida tendência para evitar conteúdos sobre o tema.
As redes sociais e os meios de comunicação social foram identificados como alguns dos canais mais relevantes para obter informação. Já os serviços de extensão universitária (estruturas que fazem a ligação entre o conhecimento científico e as comunidades) foram considerados os que apresentam maior capacidade para disponibilizar informação sobre o assunto.
O estudo verificou também uma relação entre o nível de escolaridade e a forma como os consumidores lidam com a informação. Pessoas com níveis de educação mais elevados tendiam a procurar mais informação, a evitá-la menos e a analisá-la de forma mais sistemática.
Comunicação diversificada
Para os investigadores, os resultados mostram que a disponibilidade do público para conhecer os alimentos obtidos através de edição genética depende não só das suas necessidades de informação, mas também da forma como essa informação é comunicada. Por isso, os autores defendem uma estratégia que combine diferentes canais de comunicação, incluindo meios de comunicação social, redes sociais, serviços de extensão e fontes interpessoais.
A utilização de informação baseada em evidência, a adaptação das mensagens a diferentes públicos e uma comunicação coordenada entre plataformas são apontadas como elementos importantes para promover um envolvimento informado dos consumidores com os alimentos obtidos através de edição genética.
À medida que a aplicação da tecnologia CRISPR na produção alimentar avança, compreender as dúvidas, necessidades e comportamentos do público poderá ser determinante para uma comunicação científica mais eficaz.
Leia o estudo aqui: GM Crops & Food.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.











































