Investigadores chineses recorreram à tecnologia CRISPR-Cas12 para desenvolver um biossensor capaz de detetar vestígios de arsénio em grãos de arroz em apenas alguns minutos. Está aberto o caminho a testes mais rápidos, simples e portáteis para monitorizar a contaminação alimentar.
✍️ Carla Amaro
Uma equipa da Wuhan University of Science and Technology e da Hubei University, na China, desenvolveu um novo método para identificar a presença de arsénio no arroz através de uma combinação de tecnologia CRISPR e uma pequena sequência de ADN concebida para reconhecer o contaminante.
O sensor utiliza um mecanismo denominado aptamer-locker, baseado numa molécula de ADN capaz de se ligar ao arsénio. Quando o elemento tóxico está presente, essa ligação desencadeia a ativação da proteína CRISPR-Cas12a. A proteína funciona então como uma espécie de “tesoura molecular”, cortando sequências de ADN associadas a um marcador fluorescente. O corte produz um sinal que permite determinar se existe arsénio na amostra.
Uma alternativa aos testes laboratoriais convencionais
Para avaliar o desempenho do sensor, os investigadores começaram por realizar testes com soluções laboratoriais e amostras de arroz às quais tinham sido adicionadas quantidades conhecidas de arsénio. Os resultados mostraram que o sistema conseguia identificar concentrações muito baixas do contaminante num período de apenas alguns minutos.
A equipa testou ainda amostras de arroz disponíveis no mercado, provenientes de diferentes regiões da China. O método conseguiu detetar níveis muito baixos de arsénio sem que a presença de outros metais, como chumbo, ferro ou mercúrio, interferisse significativamente com os resultados.
Atualmente, a deteção rigorosa de metais pesados pode exigir técnicas laboratoriais sofisticadas, como a espectrometria de massa com plasma indutivamente acoplado (ICP-MS). Embora estes métodos sejam altamente precisos, implicam equipamento dispendioso e procedimentos de preparação das amostras que podem ser demorados.
O novo sensor pretende simplificar esse processo, recorrendo a um sistema molecular que combina o reconhecimento específico do arsénio com a capacidade de amplificação do sinal proporcionada pelo CRISPR-Cas12a.
Da bancada para o mercado
Nas amostras de arroz recolhidas no mercado e analisadas no estudo, as concentrações de arsénio ficaram abaixo dos limites regulamentares internacionais considerados seguros. Para os investigadores, estes resultados demonstram que o sensor poderá ter utilidade em situações
Leia o estudo aqui: International Journal of Biological Macromolecules.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.














































