O Governo reconheceu que o setor do leite merece particular atenção face à escalada nos preços de produção e à descida no valor pago aos produtores, e adiantou que estão a ser preparados apoiam que os podem beneficiar.
“Portugal propôs à Comissão Europeia, no âmbito da quinta reprogramação do PEPAC [Plano Estratégico da Política Agrícola Comum] uma nova intervenção, cofinanciada pelo FEADER [Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural], com uma dotação de 20 milhões de euros, destinada a agricultores ativos afetados pelo aumento dos custos dos fertilizantes”, adiantou o Ministério da Agricultura, em resposta à Lusa.
De acordo com o Governo, os produtores vão beneficiar desta intervenção através das áreas de milho silagem, com um apoio de 43 euros por hectare nas superfícies de regadio e de 18 euros por hectare nas superfícies de sequeiro.
A proposta encontra-se em avaliação pela Comissão Europeia.
A reprogramação do PEPAC inclui ainda, conforme apontou, um reforço de 162 milhões de euros nas dotações dos pagamentos diretos, um aumento de 11%.
O ministério liderado por José Manuel Fernandes disse ainda que está a ser preparado um apoio financeiro de emergência, no âmbito da Reserva Agrícola, no valor de 9,4 milhões de euros, que também vai beneficiar os produtores de leite.
“A situação do setor merece particular atenção, sobretudo face à redução dos preços do leite e ao aumento dos custos de produção, que pressionam a sustentabilidade da atividade, em especial das pequenas explorações”, vincou.
Segundo o Governo, encontra-se em vigor, por exemplo, um apoio ao rendimento de base, com um valor indicativo de 107,96 euros por hectare, o apoio redistributivo complementar, de 120 euros por hectare, e o pagamento ao leite de vaca, com um valor indicativo de 113 euros por animal.
Fora do PEPAC, os produtores de leite podem beneficiar também de um apoio extraordinário ao setor agrícola, no valor total de 20 milhões de euros, que inclui uma ajuda de 12 euros por vaca leiteira.
As descidas no preço do leite registadas desde o início do ano e até dezembro vão custar aos produtores nacionais cerca de 72 milhões de euros, segundo uma estimativa da Aprolep, enviada à Lusa.
A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) disse que as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma nova descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor a partir de 01 de agosto, em todo o território continental.
Por sua vez, na ilha de S. Miguel, nos Açores, “a Prolacto e a Insulac já responderam com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, justificando a descida com a situação dos mercados a nível nacional e internacional”.
“Esta descida, entre agosto e dezembro, representa menos 12 milhões de euros para os produtores, a somar aos 60 milhões de euros que já representa, em todo o ano de 2026, a descida de três cêntimos por litro face a 2025”, estimou a direção da Aprolep, em resposta à Lusa.
Perante a decisão das cooperativas de descer o valor pago aos produtores, a Aprolep desafiou-as a repor o valor em setembro, o que não se verificou.
O preço médio do leite comprado a produtores individuais caiu para 0,447 euros por quilograma (kg), o valor mais baixo, pelo menos, desde o início deste ano, segundo dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP).
Os consumidores estão a pagar menos dois cêntimos por um litro de leite meio gordo, que, em média, atingiu, em julho, 0,89 euros, revelaram os dados do Observatório de Preços.
Em 26 de janeiro, um litro de leite custava cerca de 0,91 euros, mais dois cêntimos do que o preço médio praticado no mês de julho.
A Lusa contactou, na semana passada, a Lactogal, mas não obteve resposta.














































