As alterações climáticas tornaram as condições meteorológicas extremas que alimentaram os recentes incêndios florestais pelo menos duas vezes mais prováveis em França e pelo menos 20 vezes mais prováveis em Espanha, indica um estudo hoje divulgado.
O estudo, da organização “World Weather Attribution” (WWA), que os cientistas dizem conter “estimativas conservadoras”, diz que, no clima atual, se prevê que eventos desta intensidade ocorram uma vez a cada 20 anos no sudoeste de França e uma vez a cada seis anos no centro de Espanha.
As duas regiões foram vítimas nas últimas semanas de incêndios florestais devastadores, que já mataram três pessoas, destruíram milhares de casas e obrigaram 300 mil pessoas a fugir.
Os incêndios têm sido descritos como dos piores já registados, com alguns a criarem o seu próprio sistema climático e aumentando as dificuldades de combate.
Em análises publicadas recentemente pela WWA indica-se que tanto as ondas de calor de junho como a seca que afeta atualmente a Europa foram alimentadas pelas alterações climáticas induzidas pelo homem.
Em setembro do ano passado a equipa também concluiu que as alterações climáticas agravaram os incêndios florestais do ano anterior em Espanha e Portugal.
A WWA é uma colaboração científica internacional que analisa e comunica a possível influência das alterações climáticas em eventos climáticos extremos, como tempestades, chuvas torrenciais, ondas de calor e secas. Inclui investigadores de universidades e instituições científicas de todo o mundo.
Citada num comunicado sobre a análise, Andreia Ribeiro, cientista climática do Centro Helmholtz de Investigação Ambiental na Alemanha, afirmou: “Quando os incêndios florestais irrompem simultaneamente em diferentes regiões, é evidente que as alterações climáticas induzidas pelo homem não estão apenas a aumentar a probabilidade de incêndios mais extremos, mas também a sua sincronia”.
E Augustin Colette, do Instituto Nacional Francês do Ambiente Industrial e Riscos alertou para a grande quantidade de poluentes atmosféricos que resultou dos incêndios, aumentando até 20 vezes a quantidade de partículas acima do que é considerado uma “qualidade do ar razoável” na Europa. E a qualidade fraca do ar foi sentida até 400 quilómetros de distância dos incêndios, disse.
“O que estamos a ver em França e Espanha não é apenas azar, é um sinal claro dos impactos crescentes do aquecimento antropogénico”, disse Clair Barnes, investigadora associada em Clima Extremo e Alterações Climáticas no Centro de Política Ambiental do “Imperial College London”.












































