A Fundação Joaquim Chissano quer reforçar, nos próximos dez anos, a promoção da paz, mediação, desenvolvimento económico e identidade cultural em Moçambique, com foco em jovens, mulheres e comunidades, anunciou hoje a instituição.
A pretensão foi avançada durante o lançamento do Plano Estratégico 2026-2035 da fundação, apresentado em Maputo, que estabelece três áreas principais de intervenção, nomeadamente a paz, desenvolvimento económico e identidade cultural, e inclui ações transversais sobre igualdade de género e uso das tecnologias de informação e comunicação. A estratégia será executada em duas fases, entre 2026 e 2030 e entre 2031 e 2035.
“A nossa ambição é continuar a ser referência em relação a matérias da paz, desenvolvimento e cultura”, disse o antigo Presidente de Moçambique (1986-2005) e patrono da Fundação, Joaquim Chissano, durante o lançamento do plano.
Na área da paz, a fundação prevê reforçar o diálogo, a reconciliação e a mediação, incluindo a formação de lideranças comunitárias para prevenir e resolver conflitos. Já no desenvolvimento económico, o organismo pretende identificar talentos, apoiar programas de formação e mobilizar parcerias para investigação, inovação e desenvolvimento, enquanto na área cultural quer reforçar a identidade e a valorização da cultura moçambicana.
“Não pretendemos falar em nome da sociedade. Queremos trabalhar com ela, para ela e por ela para contribuir para a criação de condições para que a sociedade fale, participe e contribua num ambiente pacífico, sem violência de qualquer que seja a natureza”, explicou Joaquim Chissano.
O diretor-executivo da fundação, Henrique Banze, disse na mesma ocasião que o plano foi pensado para responder às mudanças no país e no mundo e poderá ser ajustado ao longo da sua implementação. Entre as áreas já desenvolvidas pela instituição estão agricultura, formação profissional, conservação ambiental, água, saúde e apoio a pessoas vulneráveis.
“Por isso é que achamos que dez anos é um bom tempo e o nosso ‘slogan’ é que temos de congregar as diversas sinergias para a paz”, afirmou Henrique Banze.
A fundação coloca crianças, jovens e mulheres entre os principais grupos-alvo, com ações previstas nas áreas de educação, formação, participação económica, igualdade de género e criação de oportunidades. O plano defende ainda o reforço da produção de conhecimento, investigação aplicada e inovação social através de parcerias nacionais e internacionais.
“Daqui a dez anos, gostaríamos que a pergunta não fosse: quantos projetos executámos. Gostaríamos que a pergunta fosse outra. ̒Conseguimos fortalecer a paz?̛Conseguimos aproximar instituições e cidadãos? Conseguimos produzir conhecimento útil? Conseguimos reforçar a confiança entre os diferentes atores nacionais ou de outras nacionalidades? Conseguimos aproximar cidadãos comuns de diferentes países?̛”, afirmou Joaquim Chissano.
O ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, presente no evento, considerou que a experiência e capacidade de inovação da fundação podem contribuir para políticas públicas mais participativas e inclusivas, defendendo metas claras, indicadores verificáveis e uma mobilização sustentável de recursos e parcerias.
“O desafio que visualizamos para o horizonte temporal de implementação do plano estratégico da fundação para a próxima década será transformar esse legado numa plataforma ainda mais ativa de conhecimento, formação, mediação, participação cidadã e desenvolvimento das comunidades”, afirmou Salim Valá.
A Fundação Joaquim Chissano defende que a execução do plano depende da cooperação entre Governo, setor privado, academia, sociedade civil e parceiros internacionais, com o objetivo de reforçar a paz, criar oportunidades económicas, apoiar as comunidades e ampliar a participação dos cidadãos no desenvolvimento do país até 2035.












































