O município de Tomar concluiu a cobertura das 12 freguesias e uniões de freguesia com meios de primeira intervenção em incêndios rurais, culminando uma estratégia iniciada em 2011 para reforçar a resposta num concelho de forte implantação florestal.
“O objetivo é permitir uma atuação nos primeiros minutos após a deteção de uma ignição, período que pode ser decisivo para conter um foco de incêndio antes de este ganhar dimensão, enquanto os meios de socorro se deslocam para o local”, afirmou hoje à Lusa o presidente da Câmara de Tomar, no distrito de Santarém.
Segundo Tiago Carrão (PSD), a decisão de dotar este ano a União das Freguesias de Tomar, a União das Freguesias de Madalena e Beselga e a freguesia da Junceira com ‘kits’ de primeira intervenção foi reforçada na sequência da tempestade Kristin, que atingiu o concelho em janeiro, permitindo concluir a cobertura integral do território municipal.
O concelho de Tomar, com cerca de 351 quilómetros quadrados e uma vasta mancha florestal distribuída pela maioria das freguesias, passou assim a dispor de 13 ‘kits’ de primeira intervenção, distribuídos pelas 12 freguesias e uniões de freguesia.
A União das Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira dispõe de dois equipamentos, devido à dimensão e dispersão do território.
A aquisição dos três novos ‘kits’ representou um investimento municipal de cerca de 16 mil euros, integralmente suportado pela Câmara de Tomar, permitindo concluir um projeto iniciado em 2011.
Algumas freguesias já dispunham anteriormente destes equipamentos através de programas de financiamento, nomeadamente no âmbito do AGRIS 2008.
Os novos equipamentos foram integrados no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR), através de protocolos celebrados entre o município e as três juntas de freguesia que ainda não dispunham deste meio de primeira intervenção.
Cada ‘kit’ é composto por um depósito em aço inoxidável com capacidade para 500 litros de água, motobomba, motor a gasolina, mangueira e agulheta, sendo instalado em viaturas ligeiras de mercadorias pertencentes às juntas de freguesia para permitir uma intervenção rápida sobre focos de incêndio em fase inicial.
Segundo Tiago Carrão, os operacionais das juntas integram o DECIR municipal com funções de vigilância e primeira intervenção, complementando o dispositivo de proteção e socorro.
A formação é assegurada pelos Bombeiros do Município de Tomar, tendo a ação mais recente envolvido cerca de 50 voluntários.
No âmbito dos protocolos, as juntas de freguesia asseguram as viaturas, os seguros e os restantes encargos de utilização, enquanto o município suporta o combustível utilizado nas ações previstas no dispositivo, bem como a formação dos operacionais, a manutenção dos equipamentos e o acompanhamento técnico.
A distribuição dos equipamentos seguiu o princípio de garantir pelo menos um ‘kit’ por freguesia, embora o município considere que a vulnerabilidade ao incêndio rural depende igualmente da ocupação florestal, do relevo, da carga combustível, da dispersão populacional e das condições meteorológicas.
Entre as áreas com maior ocupação florestal destacam-se Sabacheira, Olalhas, Serra, Junceira, Carregueiros e as uniões de freguesia de Casais e Alviobeira e de Além da Ribeira e Pedreira.
Tiago Carrão afirmou ainda que o município não se considera pioneiro na utilização destes equipamentos, por existirem soluções semelhantes noutros concelhos, mas defendeu que a cobertura integral das freguesias e a integração dos ‘kits’ num dispositivo municipal articulado com as juntas de freguesia constituem “o elemento diferenciador” do modelo adotado em Tomar.












































