A maior parte do território continental encontra-se atualmente sob risco de incêndio rural muito elevado ou máximo, num período marcado por temperaturas elevadas e condições meteorológicas propícias à rápida propagação de incêndios.
Perante o agravamento do estado do tempo e o aparecimento de vários focos de incêndio em diferentes pontos do país, o Sindicato Independente dos
Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP) considera incompreensível que as equipas de Sapadores Florestais continuem a ser o
único agente de proteção civil empenhado, de forma generalizada, em ações de gestão de combustíveis (silvicultura preventiva), em vez de estarem
preposicionadas em locais estratégicos para ações de vigilância e prontas para garantir uma primeira intervenção rápida e eficaz.
As equipas de Sapadores Florestais encontram-se distribuídas por todo o território continental, com especial incidência nas regiões do interior, precisamente onde o despovoamento e o crescente abandono das terras favorecem a acumulação de combustível vegetal e aumentam significativamente o risco de incêndio. São também estas as zonas onde o combate aos incêndios rurais é mais complexo, quer pela extensão do território e pela dificuldade de acessos, quer pela menor concentração de meios de resposta. A presença permanente destas equipas em ações de vigilância permitiria reforçar a deteção precoce de ignições e assegurar uma primeira intervenção célere, evitando que pequenos focos evoluam para incêndios de grandes dimensões.
Os Sapadores Florestais constituem um elemento essencial do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais, sendo amplamente reconhecido que um ataque inicial eficaz é determinante para evitar a propagação dos incêndios e preservar milhares de hectares de floresta, proteger populações e salvaguardar bens.
Ao manter as equipas afetas a trabalhos de gestão de combustíveis num momento em que o risco de incêndio atinge níveis muito elevados e máximos,
o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), entidade responsável pela gestão do Programa de Sapadores Florestais, compromete a
operacionalidade destes meios e reduz a capacidade de resposta imediata perante novas ignições.
O SinFAP entende que, nas atuais circunstâncias, a prioridade deve ser o reforço da vigilância ativa do território e o pré-posicionamento estratégico das
equipas de Sapadores Florestais, potenciando a sua capacidade de deteção precoce e de primeira intervenção, fatores decisivos para o sucesso do combate aos incêndios rurais.
Neste sentido, o SinFAP apela ao Ministério da Agricultura e Pescas para que intervenha com urgência na reorganização operacional das equipas de Sapadores Florestais, determinando que estas sejam direcionadas para ações de vigilância e permaneçam prontas para uma resposta imediata sempre que ocorra uma ignição.
Num momento em que o país enfrenta uma situação particularmente exigente, todas as decisões devem privilegiar a eficácia operacional e a proteção da
floresta e das populações.
A prevenção também se faz com vigilância.
Fonte: SinFAP












































