Uma viagem simbólica a bordo do comboio histórico do Douro serviu hoje para lançar o repto de pensar o futuro do Alto Douro Vinhateiro Património Mundial da UNESCO, a propósito dos 25 anos da classificação.
“O objetivo era aproveitar esta celebração […] para pensarmos o Douro daqui a uma, duas ou três décadas, porque tem de ser obrigatoriamente diferente […]. O que nos importa, acima de tudo, é olhar para o território, ver os seus problemas, sabermos que o rumo não é muito favorável, [porque] temos cada vez menos população, menos capacidade de mudar o território para [que seja] mais sustentável, mais capaz e competente para enfrentar os desafios do futuro”, disse o presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, João Gonçalves, à margem do percurso entre a Régua e o Pinhão, no distrito de Vila Real.
Num balanço dos últimos 25 anos, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Norte, entidade gestora responsável pelo “Alto Douro Vinhateiro”, salientou que manter a chancela da UNESCO exige “equilíbrio, bom senso e muito trabalho”.
“Se, ao longo destes 25 anos, deu muito trabalho conseguir salvaguardar este património com todas as regras que são impostas pela UNESCO, agora temos de pensar em saltar para outro patamar: o compromisso com o futuro que temos de deixar. Celebrarmos o passado, com certeza, respeitarmos o passado, com muito orgulho, mas perspetivarmos o futuro, mobilizando todos”, afirmou Álvaro Santos, aos jornalistas.
A este propósito, o presidente da CCDR-N destacou o Livro Verde do Douro 2050, que será apresentado em junho de 2027, enquanto “carta magna, documento orientador e estratégico para os próximos anos”.
Álvaro Santos apontou ainda o caminho-de-ferro como “uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento da região” e para “a fixação de pessoas”, adiantando que os projetos para a eletrificação do troço Pinhão-Pocinho e Pocinho-Barca de Alva estão em execução, não se pronunciando sobre a reabertura da linha do Corgo.
Questionado sobre o alargamento da linha do Douro até Barca de Alva, distrito da Guarda, o secretário de estado da Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, disse não estar “capacitado para responder”, remetendo a resposta para o ministro das Infraestruturas.
Quanto a soluções para fixar população no Douro, Silvério Regalado frisou que o trabalho tem de ser feito em conjunto com os autarcas e as empresas locais, com “políticas concretas”.
O responsável acrescentou ainda que, sendo “a burocracia um dos grandes inimigos do território”, o Governo está empenhado em simplificar os processos, além de “perfeitamente alinhado” com a ambição local.
“A melhor estratégia é a do diálogo, trabalharmos em conjunto, pelo território e pormos as pessoas a falar cara a cara. Mais do que a legislação, as pessoas poderem vivenciar e estarem confortáveis com a estratégia [de] quem está no território, acho que é o mais importante e o Governo está muito alinhado com os autarcas e com a CCDR para continuarmos a trazer desenvolvimento [à região]”, frisou.
Quanto ao futuro, embora tenha existido, nos últimos 25 anos, um “esforço de manutenção dos valores patrimoniais, ambientais [e] culturais”, para o secretário de Estado existe agora “um grande desafio pela frente”, o de “manter tudo isto vivo e continuar a fazer do Alto Douro Vinhateiro e de toda esta região, uma referência de Portugal no mundo”.
“[O Douro] precisa de uma estratégia que o Governo já está a implementar, que é de trabalhar em conjunto com os municípios. Quisemos e queremos fazer da descentralização de competências uma das nossas bandeiras, queremos trabalhar em conjunto com os autarcas. Fizemos, também, o processo de desconcentração das CCDR, porque são fundamentais para levar esta estratégia do Governo ao território e para aproximar as decisões [das] pessoas destes territórios magníficos”, frisou Silvério Regalado.
As comemorações dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro Património Mundial da UNESCO, classificação alcançada em 14 de dezembro de 2001, estendem-se até junho de 2027, quando será apresentado o Livro Verde do Douro 2050.
Do programa de comemoração faz ainda parte o Dia do Vinho do Porto, em 10 de setembro, dia em que se assinala também o aniversário da demarcação da região, este ano 270 anos sobre a sua criação, em 1756, bem como dinâmicas culturais, integrado nas atividades de cada município, além de variadas ações de promoção e de marketing territorial.












































