A edição genética permitiu transformar a perila vermelha (uma erva aromática muito utilizada na culinária asiática) numa variedade verde, aumentando em cerca de seis vezes a concentração de luteolina, um composto com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. O estudo demonstra como a tecnologia CRISPR-Cas9 pode ser utilizada para desenvolver alimentos funcionais com maior valor nutricional e potencial farmacêutico.
✍️ Por: Carla Amaro
Investigadores da Universidade de Hiroshima, em colaboração com o Instituto de Investigação Tecnológica da Prefeitura de Hiroshima e a empresa Mishima Foods Co., Ltd., utilizaram com sucesso a tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para transformar a perila vermelha (Perilla frutescens), uma erva aromática muito utilizada na culinária asiática, numa variedade verde, ao mesmo tempo que aumentaram significativamente os seus compostos benéficos para a saúde.
A investigação, publicada na revista científica Frontiers in Plant Science, mostra que a alteração de um único gene pode redirecionar o metabolismo da planta, permitindo produzir culturas com maior valor nutricional e funcional.
A equipa desativou o gene flavanona 3-hidroxilase (F3H), responsável por um ponto-chave da via metabólica da planta. Como consequência, deixou de ser produzida a antocianina, o pigmento vermelho característico da perila vermelha, fazendo com que as plantas adquirissem o aspeto típico da perila verde.
Mais importante ainda, esta modificação genética provocou alterações profundas na composição química da planta. Os níveis de luteolina, um flavonoide conhecido pelas suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, aumentaram cerca de seis vezes em comparação com as plantas não editadas. Os investigadores observaram igualmente um aumento da concentração de ácido rosmarínico, outro composto bioativo associado a benefícios para a saúde.
Liderada por Hidemasa Bono, a equipa conseguiu desenvolver linhagens estáveis que mantêm estas características metabólicas ao longo das gerações, sem incorporarem ADN de outras espécies. Ou seja, as plantas editadas não são transgénicas, uma vez que não contêm material genético estranho.
Segundo os autores, esta abordagem abre novas perspetivas para o desenvolvimento de alimentos funcionais de elevado desempenho e para a produção de ingredientes naturais destinados às indústrias alimentar, nutracêutica e farmacêutica. O estudo demonstra ainda o potencial da edição genética para melhorar plantas aromáticas tradicionais, tornando-as mais nutritivas e funcionais sem alterar a sua identidade botânica.
Leia o estudo no website da Universidade de Hiroshima.
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.












































