Milhares de agricultores polacos iniciaram hoje marchas de protesto em Varsóvia contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul.
A mobilização, que deverá alastrar a outras cidades, conta com o apoio do Presidente polaco, Karol Nawrocki, e do Governo do primeiro-ministro Donald Tusk, que já se manifestaram contra o acordo.
Centenas de tratores que estavam estacionados nos arredores da capital polaca dirigiram-se para o centro da cidade assim que foram anunciados os resultados da votação em Bruxelas, que hoje de manhã deu luz verde à assinatura do acordo comercial entre a UE e o Mercosul.
No entanto, a polícia impediu a entrada dos tratores no centro da cidade devido à proibição expressa emitida pelo presidente da câmara, que apenas autorizou manifestações a pé, causando confrontos e incidentes violentos.
À medida que as notícias chegavam de Bruxelas, vários membros do executivo polaco reiteraram a sua oposição à assinatura do tratado. O ministro da Agricultura, Stefan Krajewski, afirmou que “o Governo está ao lado dos agricultores”.
O porta-voz presidencial, Mateusz Kotecki, anunciou em conferência de imprensa que “o Palácio Presidencial prestará apoio jurídico aos agricultores polacos contra possíveis provocações e que irá os proteger”.
O Presidente Karol Nawrocki, que se reuniu esta manhã com vários representantes dos sindicatos agrícolas, reiterou que propôs uma lei “para manter a função produtiva do campo”.
Além de propor reuniões mensais com grupos de agricultores e produtores agrícolas, anunciou a sua intenção de recorrer ao Tribunal Constitucional para tentar impedir a implementação do acordo Mercosul no país.
O acordo comercial UE-Mercosul, negociado ao longo dos últimos 25 anos, visa eliminar as tarifas para facilitar a troca de produtos industriais europeus [como os automóveis] por matérias-primas e produtos agrícolas sul-americanos.
Deverá ser formalmente aprovado às 17:00 (16:00 de Lisboa), na conclusão do procedimento escrito, disse à Lusa fonte europeia, podendo ser assinado no dia 12 no Paraguai.
Numa primeira votação, pelos embaixadores dos Estados-membros junto da UE (Coreper), a proposta passou com os votos contra da França, Polónia, Áustria, Irlanda e Hungria e a abstenção da Bélgica, não tendo sido formada uma minoria de bloqueio representando 65% da população da UE.
Se nenhum país se juntar entretanto ao lado dos ‘contra’, o procedimento escrito é encerrado com a aprovação do acordo que levou 25 anos a ser negociado.
O Mercosul é composto pela Argentina, Brasil, Paraguai (que assume atualmente a presidência) e Uruguai.









































