O encontro técnico realizado em Santarém reuniu 600 profissionais para debater o aumento da produtividade cerealífera e o impacto das condições climáticas nas colheitas.
Nos passados dias 11 e 12 de fevereiro, o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém, foi o palco do XVI Congresso Nacional do Milho e do 2.º Encontro das Culturas Cerealíferas. O evento focou-se na análise técnica do setor, na evolução dos indicadores de rendimento e nas soluções logísticas para a produção de cereais.
Um dos dados centrais apresentados refere-se ao crescimento exponencial da capacidade produtiva em Portugal nas últimas quatro décadas. Os registos indicam uma transição de uma produtividade média de 1 tonelada por hectare para valores atuais que superam as 5 toneladas por hectare.
Este incremento é o resultado direto de:
- Investimento Tecnológico: Modernização do parque de máquinas e sistemas de rega.
- Capacidade de Gestão: Melhoria nos processos de decisão das explorações agrícolas.
- Formação Técnica: Aumento do número de diplomados no ensino superior agrário, que é hoje quatro vezes superior ao registado em 1985.
O congresso serviu para alertar para as dificuldades operacionais causadas pela instabilidade meteorológica. O excesso de precipitação entre os meses de novembro e dezembro comprometeu a janela ideal para a instalação de várias culturas de inverno.
No caso específico do arroz, a saturação dos solos e o alagamento de terrenos impediram a normal progressão da campanha, prevendo-se uma quebra acentuada na produção. Como solução técnica, foi discutida a importância de infraestruturas de armazenamento de água (barragens) para regular os ciclos de excesso hídrico e de seca, garantindo a estabilidade das culturas.
Embora Portugal apresente um défice estrutural na produção de cereais, o debate técnico centrou-se na viabilidade de criar “bolsas de produção” para aumentar os níveis de autoabastecimento. No plano internacional, foram discutidos os mecanismos técnicos dos acordos comerciais e a necessidade de adequar a logística de exportação para mercados de grande escala, como o Brasil, visando o escoamento da indústria agroalimentar.
O evento reforçou que a continuidade da produção cerealífera depende da eficácia dos apoios diretos ao rendimento e do investimento no desenvolvimento rural para manter a viabilidade das operações no campo.
O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.














































