Venezuela: Setor agroalimentar enfrenta a pior crise dos últimos 50 anos – Fedeagro

O setor agroalimentar venezuelano está a enfrentar a crise mais complexa dos últimos 50 anos, disse hoje o presidente da Confederação de Associações de Produtores Agropecuários da Venezuela (Fedeagro), Aquiles Hopkins.

“Tivemos de enfrentar uma das etapas mais críticas dos últimos tempos no plano político, social e económico, mas principalmente no setor agroalimentar que enfrenta o seu momento mais complexo nos últimos 50 anos”, afirmou Aquiles Hopkins.

O presidente da Fedeagro falava durante a assembleia-geral anual da confederação, que, devido à pandemia da covid-19, este ano decorreu de forma virtual.

Segundo este responsável, o setor, afetado pela crise dos serviços públicos, como o abastecimento de gás doméstico, água e eletricidade, sofre agora as consequências de uma acentuada escassez de gasolina, particularmente no interior do país, que tem impedido o desenvolvimento normal das atividades agropecuárias.

“A escassez de combustível tem também afetado severamente a comercialização das colheitas e o ciclo produtivo mais importante do ano. Perderam-se colheitas em todas as regiões e as terras ficam por cultivar”, frisou.

Aquiles Hopkins explicou que, em 2019, a produção dos bens “de maior tradição no país” apenas “atingiu os volumes das décadas dos anos 60 e 70”.

“Devido à recessão, a contribuição da oferta interna ao consumo nacional registou mínimos históricos. A insistência governamental em manter as políticas públicas responsáveis (que ocasionaram) pela crise não prevê a mudança necessária nas tendências dos indicadores setoriais”, disse.

Desde 2019 que os agricultores venezuelanos se queixam de crescentes dificuldades para conseguir combustível para as máquinas usadas para lavrar as terras e para transportar os seus produtos até aos mercados e centros de distribuição.

Segundo a imprensa venezuelana, desde março, com a chegada da pandemia da covid-19, a situação agravou-se, intensificando-se a falta de combustível principalmente em regiões do interior do país, onde a falta de água e de eletricidade são alguns dos problemas quotidianos.

Trata-se de uma situação que, segundo a Fedeagro, levou os produtores venezuelanos a “apostar na reengenharia e em inovar a atividade produtiva, entendendo que a Venezuela já não é a mesma de antes e que tampouco voltará a ser como era”.

Apesar disso, segundo Aquiles Hopkins, “a Fedeagro reitera o compromisso de construir bases para recuperar a produção do país, partindo da democracia e do respeito pela Constituição, pelas leis, pelas liberdades económicas e pela livre empresa”.

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