Uma nova geração de plantações para a bioeconomia

Uma nova geração de plantações para a bioeconomia

A mudança para a bioeconomia oferece novas oportunidades para um modelo verdadeiramente sustentável de desenvolvimento rural, aumentando o valor gerado pela floresta e a agricultura.

New Generation Plantations (NGP) responde à necessidade de acelerar a transição do atual modelo económico insustentável para uma bioeconomia circular, promovendo o uso de madeira sustentável no lugar de materiais como cimento, aço, plásticos ou têxteis. Essa mudança pode desempenhar um papel vital na mitigação dos efeitos das alterações climáticas, contribuir para reverter a perda de biodiversidade e reduzir a poluição.

Esta mudança irá implicar também um aumento no consumo de madeira sustentável. Esse aumento será necessário mesmo que a humanidade faça todos os esforços para reduzir os padrões de consumo e passe a utilizar os recursos com mais eficiência, incluindo a reutilização e a reciclagem de madeira por meio de uma abordagem em cascata.

Uma parte da solução para sustentar o aumento da procura de madeira e produtos madeireiros será através de plantações. Hoje, as florestas plantadas cobrem apenas cerca de 7% da área florestal global, mas cobrem cerca de metade da procura global da madeira comercial. A importância das plantações irá aumentará nas próximas décadas, à medida que a procura por madeira – para bioenergia, construção, embalagem e muitos outros setores de uma bioeconomia de baixo carbono – crescer em todo o mundo.

Embora a gestão florestal sustentável de florestas naturais continue a contribuir para o abastecimento global de madeira, as plantações são um complemento essencial, pois existe um limite à quantidade de madeira que podemos colher de forma sustentável a partir das florestas naturais. A produção de madeira deverá ser feita em equilíbrio com outros fatores, como a proteção da biodiversidade, o armazenamento de carbono, o respeito pelos direitos dos povos indígenas e das comunidades locais e a manutenção e restauro de muitos outros serviços que os ecossistemas florestais fornecem. Em alguns casos, considerar aqueles fatores, restringirá a produção de madeira – por exemplo, se os ciclos de rotação forem aumentados para maximizar o sequestro de carbono, ou se novas categorias de proteção forem atribuídas a paisagens florestais.

As plantações podem ser a fonte alternativa de produção de uma significativa proporção de madeira de forma rápida e usando relativamente pouca terra. As plantações de gestão intensiva, por exemplo, em regiões tropicais produzem fibra de madeira de maneira particularmente eficiente: enquanto uma floresta de coníferas semi-natural na região boreal exige 700 mil hectares para produzir um milhão de toneladas de celulose por ano, uma plantação de eucalipto no Brasil pode produzir a mesma quantidade em apenas 100 mil hectares. E o tempo de rotação pode ser tão curto quanto sete anos, comparado com várias décadas necessárias para produzir a mesma quantidade na região boreal.

No entanto, em alguns quadrantes da sociedade as plantações são ainda polémicas, particularmente devido aos casos em que as plantações substituíram florestas naturais e outros ecossistemas importantes, ou foram estabelecidas sem o consentimento dos povos indígenas e de comunidades locais. Mas esses casos não refletem a realidade da nova geração de plantações e que acontecem hoje em dia.

As plantações de árvores que seguem os princípios da NGP (ver a figura) podem contribuir positivamente para o ambiente e para a vida das pessoas locais, além de fornecerem a fibra de madeira de que a sociedade necessita. Estas plantações são geridas segundo boas práticas, plantadas nos lugares adequados e apoiam o desenvolvimento das comunidades locais, melhorando o rendimento e criando oportunidades para pequenos agricultores e novas PME.

As plantações que seguem os princípios do NGP fornecem matérias-primas sustentáveis que podem formar a base de uma bioeconomia circular. Nesta ilustração, o uso em cascata de madeira, a reutilização e a reciclagem de produtos de madeira, combinadas com a redução de resíduos, mostram como o valor económico da biomassa lenhosa pode ser maximizado.

A mudança para a bioeconomia oferece novas oportunidades para um modelo verdadeiramente sustentável de desenvolvimento rural, aumentando o valor gerado pela floresta e a agricultura, ajudando a restaurar os serviços de ecossistema e reduzir as emissões de carbono. Adicionalmente, à medida que a variedade de produtos feitos à base de madeira aumentar, também irão aumentar as oportunidades para pequenos produtores e PMEs inovarem e capturarem valor ao longo da cadeia florestal.

À luz das crises climáticas, de saúde e ambiente, aproveitemos esta oportunidade para restaurar ecossistemas, reter carbono, promover o desenvolvimento rural e produzir o que a sociedade do século XXI procura, através de uma nova geração de plantações.

O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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