UE volta a poder exportar carne de vaca para a Coreia do Sul. Restrições levantadas após 20 anos

A República da Coreia do Sul, após quase 20 anos, levantou as suas restrições à importação de carne de bovino e de produtos à base de carne de bovino provenientes de alguns Estados-membros da União Europeia. Os produtores da Dinamarca e dos Países Baixos são os primeiros a poder retomar as exportações.

As restrições foram instituídas em 2001, em reacção ao surto de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), a doença das vacas loucas.

Cecilia Malmström, Comissária responsável pelo Comércio, declarou que “o comércio não trata só de transacções comerciais. Após muitos anos de trabalho árduo, este anúncio significa que os agricultores neerlandeses e dinamarqueses conseguem um novo mercado para vender a sua carne de bovino. Mais uma vez, a UE serve o nosso sector agrícola”.

Por sua vez, o Comissário Vytenis Andriukaitis, responsável pela Saúde e Segurança Alimentar, congratulou-se com este anúncio, frisando que “é mais um sinal de que os parceiros comerciais reconhecem que a luta contra a BSE foi ganha e que a qualidade da carne de bovino e dos produtos à base de carne de bovino da UE é reconhecida em todo o mundo. O acesso suplementar a este importante mercado é uma excelente notícia para os produtores da UE”.

Hogan: “uma evolução muito positiva”

Já o Comissário responsável pela Agricultura, Phil Hogan, disse que se trata “de uma evolução muito positiva e de uma importante declaração de confiança das autoridades sul-coreanas na segurança e na qualidade da carne de bovino europeia. Na sequência da confirmação do acesso dos operadores dinamarqueses e neerlandeses, espero que não demore muito até que sejam aprovadas as exportações de operadores de outros Estados-Membros da UE para este importante e valioso mercado. Garantir o acesso de outros Estados-membros da UE continuará a ser uma prioridade para a Comissão Europeia nas relações comerciais bilaterais com a Coreia”.

Negociações duras

A abertura do mercado coreano foi possível graças a “esforços persistentes” envidados conjuntamente pela Comissão Europeia e pelos Estados-membros da UE. A eliminação das restrições comerciais instituídas em 2001, em reacção ao surto de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), é um “sinal de merecida confiança no sistema abrangente, multifacetado e muito eficiente da UE em matéria de segurança dos alimentos e de controlo da saúde animal”, refere um comunicado da Comissão Europeia.

A Comissão garante que “continuará a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades coreanas, a fim de garantir o acesso ao mercado para os restantes Estados-membros que ainda aguardam aprovação da exportação de carne de bovino e de produtos à base de carne de bovino”.

Numa reunião realizada em 4 de Setembro de 2019 sobre questões sanitárias e fitossanitárias, as autoridades coreanas apresentaram garantias de que os pedidos pendentes de Estados-membros da UE (com excepção da Dinamarca e dos Países Baixos) seriam tratados em tempo útil.

Acordo comercial UE-Coreia

A UE e a Coreia estão, desde 2011, ligadas por um acordo comercial e a Comissão Europeia espera que ambas as partes possam explorar todo o potencial deste acordo.

O acordo comercial UE-Coreia ajudou a intensificar os intercâmbios, a resolver numerosos entraves comerciais de ambas as partes e a aumentar o comércio bilateral de produtos agroalimentares em 10 % por ano. Agora que são levantadas as restrições sanitárias aplicáveis à carne de bovino dinamarquesa e neerlandesa, os produtores desses países poderão finalmente beneficiar das reduções pautais previstas no acordo.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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