A União Europeia está a apoiar Angola a entender e preparar-se para implementar as medidas do Regulamento sobre Produtos Livres de Desflorestação, com atenção à especificidade na produção do café angolano, avançou hoje um perito da organização europeia.
O especialista em rastreabilidade e comércio do Instituto Florestal Europeu, Edwuin Gaarder, disse à imprensa, à margem de um ‘workshop’ sobre o “Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desflorestação e o Setor Cafeeiro Angolano”, que esta medida europeia é nova e proíbe a colocação no mercado europeu de produtos originais de áreas desflorestadas a partir de 2020.
Edwin Gaarder referiu que a União Europeia reconhece que esse regulamento pode ter um impacto nos países produtores como Angola, estando o Instituto Florestal Europeu encarregado, com financiamento da organização, em apoiar estes países.
Segundo o especialista, Angola tem uma especificidade que não se verifica em muitos outros países, que tem a ver com a existência de muitas áreas antigas de café abandonadas.
“Essas áreas foram invadidas pelas florestas, existe café lá dentro, mas o território parece uma floresta do ponto de vista de um satélite ou mesmo de alguém que não conhece. Se quiserem recuperar essas áreas terá de fazer o manejo da sombra, abrir um pouco, renovar as plantações e o risco é que isso pode ser interpretado como desmatamento”, salientou.
A fonte vincou que em Angola uma das prioridades é identificar as zonas de café abandonadas e elegíveis à renovação para a retoma da produção deste bem.
“Vamos trabalhar com o Instituto Nacional do Café uma metodologia para identificar essas áreas, também vamos trabalhar a questão do registo dos produtores, a geolocalização das áreas, o monitoramento do desmatamento e o mapeamento das leis nacionais, que também têm de ser cumpridas”, disse.
O representante do Instituto Florestal Europeu vincou que a Europa está comprometida em travar “o desmatamento a nível internacional”, face à crise ambiental, de aquecimento global, que o mundo vive, bem como se assegurar que o consumo do cidadão europeu “não está a contribuir para a desflorestação a nível mundial”.
“Os consumidores da União Europeia não desejam mais consumir produtos provenientes de áreas desmatadas, produtos como o café, cacau, soja, gado”, frisou.
De acordo com o perito, em Angola, os produtores cultivam o café agroflorestal, isto é, “um café com sombra”, e a preocupação é “mostrar à União Europeia que é de facto uma renovação de áreas antigas e não a abertura de novas áreas”.
Edwin Gaarder sublinhou que o café angolano durante muitos anos esteve em declínio, passando dos 600 mil hectares de produção, antes da independência, para somente 50 mil hectares atuais.
Naquela época o café angolano era muito requisitado, prosseguiu a fonte, “havia muita procura”, de variedades especiais como o café Amboim, ainda hoje muito procurado no mercado.
“Existe muito interesse por parte dos investidores europeus em revigorar esse setor em Angola”, acrescentou.















































