Trabalhadores da apanha da Cereja do Fundão com máscaras reutilizáveis e solidárias

Trabalhadores da apanha da Cereja do Fundão com máscaras reutilizáveis e solidárias

Os produtores de Cereja do Fundão vão receber quatro mil máscaras para distribuir pelos trabalhadores, de modo a garantir uma “colheita mais segura”, iniciativa que também contará com um código de boas práticas para a prevenção da covid-19, foi hoje anunciado.

“Queremos fazer uma campanha de colheita e de comercialização segura. Perante o que é a pandemia que vivemos e aquilo que são os seus desafios, era preciso reforçar um conjunto de normas e procedimentos que pudessem salvaguardar e diminuir o risco de contágio em todo o processo, desde a colheita, ao embalamento e expedição, até ao consumidor final”, afirmou o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes.

O autarca deste concelho do distrito de Castelo Branco, que é uma das principais zonas produtoras de cereja nacional, falava durante a apresentação do “Código de Boas Práticas para a Colheita de Produtos Hortofrutícolas”.

O documento foi elaborado em conjunto com o Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN) e com a Universidade da Beira Interior, e apresenta um conjunto de regras que devem ser seguidas pelos produtores.

Prevista para começar entre final do mês e início de maio, a campanha deste ano também ficará marcada pelas quebras de cerca de 50% na produção, foi hoje referido.

Apesar da situação “dramática” ao nível da produção, a autarquia está empenhada em contribuir para a proteção das pessoas e para reforçar o nível de confiança que o consumidor tem relativamente à marca “Cereja do Fundão”.

Uma das ações prevista prende-se com a distribuição de máscaras reutilizáveis aos produtores e trabalhadores, que serão produzidas e distribuídas por uma rede solidária local, de acordo com as normas divulgadas pelas entidades públicas.

O programa das máscaras solidárias em tecido foi criado pelo projeto “Matriz” quando a pandemia chegou a Portugal e funciona em regime de voluntariado, englobando já cerca de 50 costureiras e vários residentes no Centro de Migrantes do Fundão, bem como o município e empresas que forneceram tecidos e materiais.

“Queremos ajudar a conferir alguma segurança às pessoas que normalmente vão para a apanha da cereja”, explicou Virgínia Batista, técnica do projeto “Matriz”.

Esta responsável apontou a importância que o trabalho na apanha da cereja tem para ajudar algumas famílias a fazer face às dificuldades e destacou a relevância de que tal possa continuar a acontecer da forma mais segura possível.

Uma ideia partilhada por Paulo Fernandes, que frisou a “vantagem” de estas máscaras serem “reutilizáveis” e poderem durar mais tempo, ao contrário das cirúrgicas que têm de ser trocadas constantemente.

O autarca também destacou as várias medidas presentes no novo código, que aconselha práticas como o respeito pela quarentena para trabalhadores que cheguem de fora, a recomendação de medições diárias de temperatura ou a implementação de horários diferenciados de saída e entrada.

As ações a adotar ao nível dos motoristas, dos fornecedores ou as questões da higiene e segurança nas centrais hortofrutícolas estão igualmente contempladas, tal como o reforço das normas que já eram seguidas ao nível da higiene e segurança no manuseamento e embalamento do fruto.

“Regras apertadas” que visam reforçar a confiança do consumidor e mostrar que a Cereja do Fundão é sinónimo de um “consumo seguro”, de um “trabalho seguro” e de práticas social e ambientalmente responsáveis”, frisou o autarca.

Apesar dos custos acrescidos que implicará para produtores, o código é encarado como uma “mais-valia” e uma “ajuda”, tal como referiram Paulo Ribeiro, da Cerfundão, e Gonçalo Batista, da Appizêzere, duas organizações de produtores locais que subscrevem e recomendam que todos sigam este manual de boas práticas.

O Fundão, no distrito de Castelo Branco, tem atualmente entre 2.000 a 2.500 hectares de pomares de cerejeiras e, de acordo com a autarquia, a fileira da produção de cereja neste concelho (que inclui subprodutos e negócios associados) já representa mais de 20 milhões de euros por ano na economia local.

Fonte: Sapo.pt

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O artigo foi publicado originalmente em Gazeta Rural.

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