A Tecnologia ao serviço da Agricultura – André Rodrigues

A Tecnologia ao serviço da Agricultura – André Rodrigues

Muito se tem ouvido falar em agricultura de precisão, novas técnicas de produção, eficiência dos recursos agrícolas, nomeadamente o uso eficiente da água. Mas será que todos os produtores têm ou podem ter acesso a estas técnicas?

É um facto que cada vez mais nos tempos que correm, o agricultor que não adotar medidas para reduzir os custos de produção e exploração não conseguirá sustentar a sua atividade; salvo um grande avanço tecnológico para o aumento da produção agrícola em larga escala. A agricultura sustentável atualmente é vista como o mais viável recurso para aumentar a produção de alimento para a população mundial.

O conceito de agricultura sustentável é por isso um delicado balanço entre maximizar a produção e manter a estabilidade económica reduzindo a utilização dos recursos naturais finitos e diminuindo os impactos ambientais.

Temos hoje em dia ao dispor da agricultura inúmeras soluções para podermos em tempo real dar os inputs necessários ao correto desenvolvimento vegetativo das culturas, sendo que os mais comuns são: GPS (Global Positioning System ou  Sistema de Posicionamento Global); VRI (Variable rate Irrigation ou taxa de variável de rega); RTK (Real Time Kinematic ou Posicionamento cinemático em tempo real); VRS (Variable rate seed ou taxa variável de semente); CE – Mapeamento de condutividade elétrica (a capacidade que um material possui em conduzir a corrente elétrica), uma das suas utilidades na agricultura provém do facto de que a variabilidade dos solos na composição físico-química apresenta diferentes níveis de condutividade elétrica. Assim, com este mapeamento dos solos podemos definir as áreas a intervencionar de forma especifica.

 

SMHS (sondas de medição de humidade do solo), etc.

Existem também dispositivos para equipar as máquinas de colheita que fazem um mapeamento da produtividade na parcela. No caso dos cereais as máquinas conseguem obter um mapa da parcela, no qual se identifica as zonas de produtividade permitindo assim, intervencionar especificamente em cada uma delas.

Mas estas técnicas de pouco servem se não dispusermos de equipamentos que possam realizar as operações de um modo diferenciado, em todo o ciclo.

Uma outra análise a efetuar é o fator económico, ou seja, se obtivermos um mapeamento, por exemplo com seis ou sete zonas em que seja necessário intervir, deverá ser analisado o custo de todas estas intervenções, assim como, a representatividade de cada uma delas, apostando apenas em duas ou três que justifiquem a operação.

A chamada agricultura de precisão não disponibiliza apenas a informação espacial para determinar onde e como realizar uma determinada tarefa, mas também as informações temporais para saber o quando aplicar.

Neste campo o produtor tem à sua disposição outros equipamentos, tais como, as sondas de monitorização da água no solo, que lhe permite através dos dados recebidos em tempo real, determinar o momento mais indicado para efetuar uma rega e a quantidade a aplicar.

Associados a estes equipamentos existem programas informáticos já bastante evoluídos, que nos permitem ter acesso através de um computador, tablet ou smartphone os dados da sonda (previsões meteorológicas especificas e individualizadas, registo das regas efetuadas, acesso a planos de regas para os dias seguintes, etc) em tempo real.Qualquer uma destas técnicas abordadas estão à disposição dos produtores, adaptando-se às necessidades de cada um, consoante o tipo de culturas instaladas e os serviços pretendidos. Umas mais baratas e outras nem por isso.

E respondendo à pergunta inicial… “será que todos os produtores têm acesso a estas técnicas?”

Sim!

Actualmente todos os produtores têm acesso às mais recentes técnicas ao serviço da agricultura, no entanto, a questão está sobretudo numa alteração de mentalidade e métodos de trabalho. As ferramentas existem…resta saber se todos estão dispostos a alterar as suas antigas técnicas em prol da nova tecnologia, que só lhe facilitará o seu “modus operandi” e reduzirá os custos.

Lembrando sempre que, como diz o velho ditado, “o olho do dono é que engorda o gado”, também neste caso é imprescindível o acompanhamento do produtor para aferir se o que a tecnologia nos diz é realmente o que está a acontecer no campo.

 

André Rodrigues

Departamento de Rega da Agromais

 

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