Setor do leite quer lutar contra a “desinformação” e contrariar as “teses alarmistas e veganistas”

Setor do leite quer lutar contra a “desinformação” e contrariar as “teses alarmistas e veganistas”

A diretora Regional de Agricultura e Pescas do Norte, Carla Alves, defendeu hoje, em Esposende, que o setor leiteiro precisa de apostar na informação sobre os benefícios do consumo do leite, para contrariar “teses alarmistas e veganistas”.

 

Falando na abertura do Colóquio Nacional do Leite, promovido pela Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) e pela Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, Carla Alves sublinhou que o leite nacional é um alimento “reconhecidamente bom, seguro e saudável”.

“O setor tem pela frente o desafio, da maior importância, de comunicar, de informar sobre os benefícios do consumo do leite, contrariando teses alarmistas e veganistas que se têm vindo a instalar”, referiu.

Para Carla Alves, o setor leiteiro tem também de ser capaz de mostrar o seu importante contributo para a fixação de CO2 (dióxido de carbono), através das forragens e pastagens, e a sua aposta no bem-estar animal, que atingiu um nível “nunca antes alcançado”.

A diretora Regional de Agricultura apelou ainda ao setor para informar sobre a sua importância para o cultivo de parcelas que de outra foram seriam votadas ao abandono e sobre a possibilidade de ser um fornecedor de matéria orgânica de elevada qualidade”.

Para Carla Alves, a comunicação e a informação assumem-se, assim, como fundamentais para que o setor leiteiro seja capaz de lutar contra a “desinformação” que está a causar dificuldades à atividade.

Assumiu que o setor, além da sustentabilidade económica, tem também de apostar na sustentabilidade ambiental, mas sublinhou o progressivo investimento que vem sendo feito na modernização das explorações.

A sustentabilidade ambiental é a pedra de toque do Colóquio Nacional do Leite, com o presidente da APROLEP, Jorge Oliveira, a defender que é “urgente” desmistificar a ideia de que “a agricultura e a pecuária estão a destruir o planeta”.

Jorge Oliveira lembrou que aquelas atividades, com as culturas da erva e do milho, são “muito importantes” na captura de carbono, que compensam as emissões de metano.

Admitiu, no entanto, que há necessidade de alterações nas explorações, mas sublinhou que esses procedimentos “têm um custo”.

“Para produzir de forma ecológica, é necessário cobrir os custos e não apenas fazer exigências aos agricultores”, disse Jorge Oliveira.

O presidente da Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, Luís Miguel Silva, disse que a descida do preço do leite pago ao produtor é o principal problema do setor, a que se junta agora a questão climática, que tem levado a uma descida do consumo dos produtos lácteos.

“A produção de leite terá custos ambientais, certamente, mas também tem muitos benefícios. O problema é que parece que só querem ver o lado negativo”, criticou.

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O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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