“S. Pedro é do mundo rural” e a chuva não os vai parar. De todo o país até Lisboa, para defender as raízes e rejeitar um “Portugal Coitadinho”

“S. Pedro é do mundo rural” e a chuva não os vai parar. De todo o país até Lisboa, para defender as raízes e rejeitar um “Portugal Coitadinho”

“O Portugal Rural é para afirmar e promover. Não aceitamos a desertificação de parte do território nacional, nem o esquecimento dos Portugueses que vivem no Mundo Rural. O Portugal Rural não pode ser o Portugal ‘Coitadinho’. Não nos resignamos!”. Começa assim o manifesto oficial da concentração agendada para hoje, dia 22 de novembro, às 15 horas, no Terreiro do Paço, em Lisboa.

“Pela promoção, defesa e valorização do Mundo Rural e das suas ‘Gentes’. Afirmar bem alto, com o nosso natural orgulho, as nossas raízes, a nossa cultura e tradições, um modo de vida, de valores e princípios, com equilíbrios sociais e em harmonia com a natureza e as suas regras”, pode ler-se.

A iniciativa nasceu no Facebook e reúne grupos ligados a diversas atividades rurais, como a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca, a apicultura, a canicultura, a tauromaquia e a columbofilia.

Ao SAPO24, Luís Gusmão, um dos organizadores da concentração — “não é uma manifestação”, reforça —, conta que está tudo a tomar caminho, para que todos se reúnam no Terreiro do Paço. “Chegam à 14h para estar tudo pronto por volta das 15h”.

“Os autocarros já estão em andamento. Vêm de todos os pontos do país: autocarros do Algarve, do Alto Minho, de Trás-os-Montes, da Beira Baixa, do Alentejo. E também vêm por meios próprios”, explica.

Então e o mau tempo? “A chuva não impede nada, vai tudo continuar com muita força”, afirma convicto. “S. Pedro é do mundo rural e, se estivermos atentos, o boletim meteorológico para Lisboa só dá mais chuva até ao meio-dia”, diz bem-disposto.

Para os promotores da iniciativa, esta é uma forma de colocar em cima da mesa decisões e medidas que ultrapassam o mundo rural. “Está em causa toda a sociedade. Apenas o desconhecimento da vida rural pode justificar as decisões e incongruências discursivas a que temos assistido”.

“Não queremos ser ostracizados. Queremos condições que permitam continuar a viver no Portugal longe do litoral e das áreas metropolitanas. Não reclamamos passes urbanos, nem melhor mobilidade nas grandes cidades onde não vivemos. Queremos discriminações positivas em algumas políticas públicas, como a fiscalidade, mas também uma atitude cultural de respeito, de promoção e de valorização da nossa identidade. Não aceitamos ser aculturados.”

“Concentração pelo Mundo Rural”. Como tudo começou

Foi no dia a seguir às eleições legislativas de outubro. A 7 de outubro, um grupo no Facebook iniciado por André Grácio, um advogado de Abrantes, lançava uma discussão a partir da qual iria ganhar forma a ideia de promover e de afirmar o “mundo rural”.

O que era apenas uma conversa restrita entre algumas pessoas alargou-se em modo passa-a-palavra até ser criado, às 15h52 do mesmo dia, um novo grupo intitulado “Concentração pelo Mundo Rural”. Passadas 72h da sua criação, este grupo privado contava já com 18 mil membros — e hoje já são mais de 28 mil.

O grupo reúne pessoas de várias regiões do país, do Minho ao Alentejo, e com diversas ligações ao mundo rural. De um conjunto inicial de pessoas ligadas à caça e à pesca (o nome inicial do grupo referia especificamente caça, pesca, tradições e interioridade), o grupo alargou o leque a atividades como a agricultura, a pecuária, a apicultura, a canicultura, a tauromaquia e a columbofilia. O manifesto faz também referência específica ao consumo de carne como um dos temas que quer ver defendido: “A dieta mediterrânica, integrando o consumo de carne, e tantas outras atividades, integram os nossos ancestrais modos de vida e a nossa cultura”.

Quando à concentração, a organização refere que esta é “legal e autorizada pelas entidades competentes”, sendo também “apartidária, pacífica/civilizada e digna”.

Durante algumas semanas, as pessoas e associações envolvidas no grupo discutiram a melhor forma e o momento adequado para fazerem ouvir a sua voz. Uma discussão que acabou por acordar na proposta de manifestação a 22 de novembro, não junto à Assembleia da República como chegou a ser discutido, mas no Terreiro do Paço. E chegou o dia.

A escolha do momento atendeu às datas de tomada de posse do novo Governo de forma a que a manifestação tenha interlocutores. “Este é o momento, após a tomada de posse de um novo governo, de reclamar e de exigir a concretização de políticas públicas e de medidas que valorizem o Mundo Rural e as suas “Gentes””.

Continue a ler este artigo no SAPO 24.

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