Retaliação da UE aos EUA agrava preocupações da IACA

Retaliação da UE aos EUA agrava preocupações da IACA

No quadro da disputa comercial  Airbus/Boeing que envolve os EUA e a União Europeia, foi publicado esta semana o Regulamento de Execução (UE) 2020/1646 da Comissão, de 07 de novembro de 2020, relativo a medidas de política comercial respeitantes a determinados produtos provenientes dos Estados Unidos da América na sequência da resolução de um litígio comercial no âmbito do Memorando de Entendimento sobre a Resolução de Litígios da Organização Mundial de Comércio.

De um modo geral, as taxas são fixadas em 25% e apesar de não incluir a soja e bagaço de soja, bem como derivados, tem potencial impacto noutras matérias-primas como o trigo, óleos e gorduras vegetais, alguns tipos de proteínas (soro de leite) e os melaços, o que não deixa de afetar negativamente o setor agroalimentar e os preços das matérias-primas no mercado mundial.

Para além da soja, em alta devido essencialmente à pressão da China, temos assistido a aumentos nos preços dos cereais e nos bagaços de oleaginosas (girassol, colza…), consequência de colheitas inferiores ao normal, redução de stocks, retenções de mercadorias em alguns países, com a situação no Mar Negro (Ucrânia e Roménia) particularmente difícil devido à seca, em que assistimos a não cumprimentos de contratos ou a restrições no seu cumprimento.

Numa altura em que os preços das matérias-primas e consequentemente os custos da alimentação animal seguem uma tendência altista, sem que os preços dos produtos de origem animal possam seguir a mesma tendência, a IACA tem manifestado estas preocupações em Bruxelas e junto das autoridades, situação que tenderá a agravar-se com as restrições colocadas ao canal HORECA e espaços comerciais, à movimentação de pessoas e à quebra do turismo, com a inevitável quebra do consumo.

A análise dos mercados estará em discussão no Conselho Agrícola de dia 16 de novembro, pelo que esperamos que os Ministros da Agricultura estejam atentos a esta situação, definam medidas excecionais de apoio e pressionem a Comissão Europeia para um entendimento com os EUA no sentido de acabarem com esta guerra comercial, normalizando as relações no setor agrícola e agroalimentar, que nada teve a ver com a questão da aviação civil.

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