RECAMAN, a nova ferramenta para calcular o valor dos recursos naturais

RECAMAN, a nova ferramenta para calcular o valor dos recursos naturais

Sabe qual é o valor de uma floresta? Ou como valorizar os serviços associados a uma área verde? A Junta da Andaluzia impulsionou o lançamento de uma ferramenta online que ajuda a calcular o valor dos recursos naturais, desde os benefícios recreativos à extração da madeira. O projeto RECAMAN está a ser aplicado naquela região espanhola, mas a sua metodologia pode ser adaptada a outros locais, ajudando a perceber os custos e benefícios associados às áreas naturais.

Sabe qual é o valor de uma floresta? Ou como valorizar os serviços associados a uma área verde? Para ajudar a calcular valores como estes, o projeto RECAMAN – Valorização do Rendimento e do Capital da Serra da Andaluzia, que surgiu por iniciativa da Junta da Andaluzia, lançou recentemente uma ferramenta online que ajuda a conhecer o valor dos recursos naturais daquela região do sul de Espanha.

A equipa de investigadores do projeto RECAMAN, que envolveu mais de uma dezena de instituições científicas, desenvolveu uma plataforma georreferenciada que permite consultar e quantificar os recursos biofísicos e económicos dos Montes da Andaluzia. Desenvolvida para esta zona, a metodologia pode ser aplicada em qualquer área natural, independentemente do país.

Disponível online, a plataforma georreferenciada seguiu a metodologia recomendada pelas Nações Unidas para quantificar os recursos naturais e biológicos a nível mundial. A ferramenta foi inspirada na versão mais recente do System of Environmental-Economic Accounting – Ecosystem Accounting (Sistema de Contas Económicas Ambientais, em português), divulgada no passado mês de março, que visa ajudar os países a ter conhecimento do seu capital natural e a reconhecer o contributo de florestas e de outros ecossistemas nos seus relatórios económicos.

Aspetos importantes como a extração de madeira e de cortiça, a captura de carbono ou as espécies mais ameaçadas estão em destaque nesta ferramenta do projeto RECAMAN, que pode ser usada de forma gratuita e por qualquer pessoa com interesse em saber mais sobre a importância económica e ambiental sobre áreas naturais e florestais.

Reconhecer o valor do património natural

Liderado pelo Grupo de Economia Ambiental do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC), o projeto RECAMAN contou com o contributo de nove instituições em Espanha. Os investigadores consideraram mais de 20 atividades, de onde se destaca a produção privada de madeira, cortiça, lenha, pinha ou pecuária, mas foram também contabilizadas outras vertentes como os serviços recreativos, a preservação da biodiversidade, o armazenamento de água, a colheita de cogumelos ou o sequestro de dióxido de carbono.

Como alguns dos bens e serviços considerados não têm valor comercial, os investigadores simularam pagamentos diretos pelos consumidores, o que permitiu atribuir um valor global a cada uma das áreas analisadas. Esta é uma vantagem, já que o conhecimento dos valores económicos e ambientais associados a cada uma das atividades permite não só análises mais completas da interação entre bens e serviços em diferentes usos do solo (o que se ganha e perde em bens e serviços quando se usa uma área para exploração da madeira ou para recreação, por exemplo), mas também atribuir um valor monetário a perdas nos ecossistemas – quais os custos em bens e serviços quando ocorre um incêndio ou quando se explora em demasia um recurso. Deste modo, contribui para a compreensão do valor real do património natural e dos benefícios gerados pelos serviços dos ecossistemas.

Um artigo publicado na revista Ecological Economics detalha os indicadores de bens e serviços fornecidos pelos ecossistemas em áreas naturais.

RECAMAN: valorizar as florestas mediterrânicas

De acordo com os responsáveis pelo projeto, este trabalho foi fundamental para gerar a metodologia e as informações necessárias para que as características multifuncionais da economia da floresta mediterrânica possam ser incorporadas nos modelos de contabilidade ambiental da União Europeia. Além disso, permite ainda dar resposta a uma das indicações da Estratégia de Biodiversidade para 2030: estabelecer custos ambientais reais, nomeadamente de perda de biodiversidade, para que as tomadas de decisão possam integrar estes valores.

O projeto RECAMAN aplica o método do Sistema de Contas Económicas Ambientais das Nações Unidas, usando o Mapa Florestal de Espanha como base cartográfica. Na aplicação podem ser visualizados os indicadores obtidos para o ano 2010.

O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.

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