Reação da CAP ao comunicado conjunto de seis ONG’s  sobre medidas tomadas pelo Ministério da Agricultura

Reação da CAP ao comunicado conjunto de seis ONG’s sobre medidas tomadas pelo Ministério da Agricultura

Valorizar a produção nacional através de uma agricultura ambientalmente sustentável

Seis organizações não governamentais contestaram ontem, através de um comunicado conjunto, a decisão do Governo de flexibilizar medidas na Agricultura devido à COVID-19.

Em concreto, as organizações contestaram a possibilidade de os produtores poderem agora praticar o pastoreio nas áreas de pousio e não serem obrigados à diversificação de culturas nas explorações cerealíferas.

Estamos, portanto, a falar de duas medidas muito específicas, entre todas aquelas que os agricultores continuam a cumprir para benefício do clima e do ambiente, que visam, como salientou o Ministério da Agricultura, “assegurar a alimentação animal na pecuária, bem como contribuir para atenuar as eventuais dificuldades de aprovisionamento de cereais”.

Trata-se de uma postura totalmente incoerente por parte destas organizações, que atacaram desde sempre a aplicação destas práticas benéficas para o clima e para ambiente, impostas pela Política Agrícola Comum (PAC), por considerarem que tinham um benefício nulo para o ambiente e, agora, saem em defesa acérrima das mesmas, como se fossem o único garante do fornecimento de benefícios ambientais por parte da atividade agrícola.

Ora, a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal manifesta o seu apoio inequívoco a estas medidas específicas tomadas pelo Ministério da Agricultura, sublinhando a sua importância no contexto da valorização ambiental da agricultura, e repudia na íntegra o referido comunicado conjunto que, além de revelar profundo desconhecimento técnico, tece considerações de natureza ideológica sobre a pandemia que nos aflige a todos, o que é de censurar. Um comunicado cujo conteúdo é tecnicamente errado, ideologicamente orientado, sem evidências que o sustentem e que, por isso, merece ser publicamente condenado e corrigido.

A MEDIDA TOMADA PELO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA É UMA BOA MEDIDA PARA O PAÍS

Portugal, como é sabido, não é autossuficiente em cereais e terá sempre que depender de importações para satisfazer as suas necessidades. Preferem os ambientalistas que importemos mais cereais, que vêm de países distantes (com tudo o que isso significa em termos de emissões) quando existem, no nosso país, áreas adequadas para estas culturas e que nos permitirão aumentar um pouco mais a sua produção internamente, controlando a qualidade e com regras ambientais claras e fiscalizáveis?

Também no caso da permissão do pastoreio das áreas de pousio se trata de uma medida benéfica. Então não é melhor os animais alimentarem-se desta forma, do que aumentar-se o consumo de rações, quando muitos dos seus componentes são, igualmente, importados?

Finalmente, importa esclarecer que esta medida se aplica apenas às explorações com uma área agrícola superior a 15 hectares, mantendo-se inalterados todas as demais regras ambientais em vigor.

Esta medida, além de economicamente racional e valorativa da produção nacional, é também uma medida com impacto ambiental positivo e com um impacto direto na redução das emissões. Menos cereais importados, menos soja importada.

Esse comunicado conjunto resulta, portanto, de um enorme equívoco e de uma leitura oportunista de uma medida, potencialmente virtuosa e positiva para o ambiente.

CAP APELA AO DIÁLOGO E AO BOM SENSO

Que bom seria que estas organizações aproveitassem o atual momento para fazerem valer as suas posições com bom senso, em vez de radicalismo. Com informação, e não desinformação. A descida abrupta de emissões de gases com efeito de estufa é uma evidência absoluta cientificamente comprovada. A Agricultura não parou durante esta pandemia, ao contrário de tantos outros setores de atividade.

A agricultura sustenta o mais elevado dos valores: o da vida humana. Sem agricultura não há alimentos, sem alimentos não há vida.

A Agricultura é um setor com o qual os ambientalistas têm muito a aprender em matéria de boas práticas ecológicas e ambientais. O agricultor é o primeiro interessado na preservação do ambiente e na gestão adequada dos recursos na sua exploração agrícola. Reconhecendo, contudo, que há sempre espaço para melhorar práticas e conciliar o bem maior de produzir alimentos que sustentam a vida humana com outros valores que são importantes, como o ambiente, o clima e a biodiversidade, a CAP entende que este é o momento do diálogo, e não da crispação.

Para isso, apela a estas organizações para que troquem a ideologia, pelo bom-senso e o radicalismo pela boa vontade.

Se as organizações não governamentais ligadas ao ambiente querem ser devidamente consideradas, devem começar por respeitar a mais elementar regra de quem tem acesso ao espaço público e mediático: falar verdade e não confundir as pessoas.

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