Quercus critica ordenamento florestal que privilegia plantação de eucaliptos

Quercus critica ordenamento florestal que privilegia plantação de eucaliptos

[Fonte: Sapo24] A Quercus denunciou hoje que os novos programas regionais de Ordenamento Florestal (PROF) privilegiam a plantação de eucalipto, que passa a estar previsto em 95% do território nacional.

João Branco aponta ainda outro problema: “Os PROF têm de ser vertidos nos Planos Diretores Municipais (PDM), porque a legislação assim o obriga, mas, na prática, vai tirar todo o poder de decisão às Câmaras Municipais na expansão do eucalipto no seu território”.

“E mesmo o próprio Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), porque depois como é que vão dar parecer negativo a uma plantação de eucaliptos, se no PROF e no PDM diz que é espécie a privilegiar”.

A Quercus, de acordo com João Branco, considera “um exagero que praticamente todos os locais do país fiquem como área em que o eucalipto é área a privilegiar”.

A associação ambientalista acrescenta, em comunicado, que os novos PROF, publicados em fevereiro, foram elaborados “com informação desatualizada e utilizaram uma metodologia com critérios desajustados, o que os impede de contribuir para um melhor ordenamento florestal”.

A Quercus salienta que, no acompanhamento a algumas comissões de acompanhamento de revisão dos PROF, alertou para “o abuso das propostas que privilegiavam os eucaliptais em muitas regiões de montanha e do interior, onde o eucalipto nem sequer se encontra adaptado em termos edafo-climáticos, dado ter pouca produtividade ou estar mais facilmente sujeito a pragas ou doenças”.

“O exemplo da proposta aprovada com eucalipto nas sub-regiões homogéneas da Torre e da Estrela, em área protegida do Parque Natural da Serra da Estrela, revelam a insensatez deste processo de planeamento”, refere.

O comunicado refere que, “também na sub-região homogénea Parque Nacional da Peneda-Gerês, o eucalipto é privilegiado no grupo I, enquanto a maioria das espécies folhosas autóctones se encontra no grupo II (menor privilégio), revelando uma aposta na produção de madeira para celulose e não uma floresta diversificada com espécies da nossa floresta”.

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