Qual o verdadeiro impacto da suinicultura no ambiente?

Qual o verdadeiro impacto da suinicultura no ambiente?

De acordo com os dados do Inventário Nacional de Emissões, publicado no dia 15 de março de 2020, a Agricultura é responsável por 10,1% do total de emissões gasosas do país. Destas, a pecuária contribui com cerca de 13,5% resultantes dos processos de gestão de efluentes e 51,4% do processo de fermentação entérica dos animais.

Relativamente à suinicultura, a atividade é responsável por apenas 0,34% do total das emissões de gases com efeito de estufa em Portugal, sendo o setor da pecuária responsável por cerca de 5,25%.

Os suinicultores aplicam várias técnicas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, através do armazenamento e tratamento do estrume e do aproveitamento de energia, bem como do ajustamento das dietas de forma a diminuir o teor proteico, reduzindo assim o volume de amoníaco excretado. Fazem também investimentos regulares em sistemas de otimização da utilização de água, como lavagens de pavilhões com máquina de pressão e, ainda, a valorização agrícola dos efluentes produzidos.

As inovações tecnológicas aplicadas nas explorações de suínos em Portugal permitiram melhorar significativamente o desempenho ambiental nos últimos 20 anos:

  • Redução de 23,2% das emissões de amoníaco por quilo de carne produzida entre 1990 e 2018, de acordo com o Inventário Nacional de Emissões publicado pela Agência Portuguesa do Ambiente;
  • Redução de 17,05% das emissões de metano provenientes do maneio de estrume por quilo de carne produzida no período 1990-2018;
  • Redução de 400% das emissões de óxido nitroso do maneio de estrume por quilo de carne produzida no período de 1990 a 2018;
  • Redução de 21,5% das emissões de gases com efeito de estufa através de uma gestão eficaz do maneio de estrume entre 1998 e 201

Por outro lado a otimização genética e a adoção de sistemas de lavagem mais sofisticados, como as lavagens dos pavilhões com máquinas de pressão negativa, possibilitaram também uma utilização mais eficiente da água, permitindo:

  • Uma redução superior a 50% do uso de água nos últimos anos, o que resulta que, em termos médios, um suíno na fase de engorda consuma cerca de 700 litros de água, ou seja, 6 litros de água por dia.
  • Reduzir a carga poluente, reutilizar os subprodutos com valor agronómico e reciclar todos os tipos de materiais utilizados. (As explorações portuguesas desenvolveram-se sobre três conceitos – Reduzir – Reutilizar – Reciclar)

No campo da energia o setor tem vindo a racionalizar significativamente o consumo, economizando e melhorando a eficiência energética das explorações.

Em Portugal, existem várias explorações de suínos que já operam com energias renováveis, como a solar térmica e fotovoltaica, que permitem reduzir o impacto ambiental, nomeadamente os níveis de metano e o CO2 produzido e também, sistemas de monitorização automática permanente de gases que otimizam a ventilação nas instalações, substituindo a ventilação forçada por sistemas de ventilação natural, que são muito mais económicos e amigos do ambiente.

A suinicultura portuguesa é aliás, um setor de referência internacional na investigação energética. Por intermédio da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores, integra o Centro Nacional de Competências para as Alterações Climáticas do Sector Agroflorestal, assumindo assim o seu empenho e compromisso na diminuição das emissões de gases com efeito de estufa e na racionalização da eficiência energética.

Na abordagem à circularidade, a produção animal tem um importante contributo no uso eficiente de matérias primas, nomeadamente na substituição de adubos de síntese por fertilizantes orgânicos. No entanto, a crescente concentração de explorações pecuárias intensivas em determinadas zonas, tem sido em parte responsável pela produção de grandes volumes de efluentes pecuários que representam riscos significativos para o homem, o ambiente, as culturas e os animais.

Nesse sentido, o objetivo do Governo é reduzir até 2030 o consumo de matérias primas em 32%, inserindo-se neste plano a redução do tamanho das cadeias de nutrientes no setor da pecuária e fechar o ciclo no nível mais baixo possível. Assim, foi emitida a Portaria 631/2009 que regula a gestão do efluente pecuário em todas as suas vertentes, de forma a promover o uso eficiente da água, fomentando a economia circular e a redução da utilização de adubos químicos, garantindo às culturas as suas necessidades em fósforo e azoto.

A transição para a agricultura circular e o aumento da sustentabilidade da atividade representam grandes desafios de adaptabilidade ao setor, mas já há exemplos bem-sucedidos. Várias empresas pioneiras do sector suinícola já estão a fazer a sua transição, desenvolvendo um modelo de negócio em colaboração com os parceiros da cadeia de abastecimento.

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