Portugal continua a arder em 2019: a opinião dos especialistas

Portugal continua a arder em 2019: a opinião dos especialistas

[Fonte: Anipla - fitotema]

Começa a ser visto como uma inevitabilidade a questão dos incêndios. Já lá vão alguns anos e Portugal começa a habituar-se a este cenário, principalmente na chegada do verão. Os incêndios no interior do país repetem-se ano após ano. Os fogos mais intensos ocorreram no Distrito de Castelo Branco alastrando-se depois para Santarém. Segundos as autoridades, existe uma suspeita de mão criminosa. Porém, não existe uma justificação fundamentada para este cenário continuar.

Sobre a questão: “Porque é que Portugal continua a arder assim?”, vários especialistas foram contactados pelo Observador e responderam à temática considerando 7 importantes características ao redor da floresta portuguesa: densidade, falta de limpeza, despovoação, temperaturas altas e penas pouco dissuasoras.

A preocupação com a gestão da floresta é mais importante do que a gestão das espécies em si, o que significa que as políticas de incentivos à arborização excessiva são criticáveis. A solução não passa pela substituição das espécies e sim pela desarborização inteligente da floresta, como a criação de espaços abertos, como agricultura e pastagens, que quebrem com a continuidade da mancha florestal.

A limpeza das matas e da floresta é um tópico que tem sido apontado como fundamental. No entanto, apesar do reconhecido esforço das populações no que toca à limpeza dos terrenos, segundo os especialistas, este esforço ainda não é suficiente, nem eficaz. O avanço é positivo, porém existem muitas casas, zonas industriais e construções onde a limpeza não é um investimento feito pelos proprietários – por acharem que não vão tirar rendimento das plantações. O conselho dado passa pela criação de mais faixas de limpeza, o que pode ser feito, por agrupamento de proprietários, através de meios mecânicos ou de fogo controlado.

Relativamente ao sistema de prevenção, este tem sido alvo de melhorias, por parte das autoridades, no que diz respeito à vigilância: programas de fogos com meios aéreos não tripulados (drones), por exemplo. Mação é a vila onde mais se investiu na vigilância – criação de um “anel de proteção” à volta das aldeias, uma estrada que permite às viaturas dos bombeiros chegar ao local de forma mais rápida e proteger as aldeias em caso de incêndio. No entanto, devem ser tomadas mais medidas que permitam antecipar estrategicamente os locais nos quais se pode travar o fogo.

O interior do país tem sido mais afetado e demograficamente a população é mais envelhecida e tem menos recursos, o que consequentemente leva à falta de meios económicos para proceder à preservação e limpeza dos terrenos. O interior despovoado propaga o aumento dos fogos. A solução dos especialistas, já que o repovoamento não é uma meta real, passa por: agrupar os proprietários para a gestão coletiva das limpezas dos terrenos.

Segundo um estudo elaborado pelo IPMA e pelo JN, as temperaturas têm aumentado e as chuvas diminuído. A chegada do verão intensifica o perigo e os avisos vermelhos são muitos Em Portugal, o número de fogos representa o dobro comparativamente a outros países do Mediterrâneo.

Por outro lado, cerca de 98% dos incêndios florestais começam por intervenção humana, Segundo o coordenador de investigação criminal da PJ aposentado, António Carvalho, as penas atribuídas a incendiários são pouco dissuasoras – a condenação fica longe do teto da pena (12 anos) e os condenados podem sair a dois terços desse cumprimento.

Efetivamente: “Desde 2017 nada mudou”. Segundo os relatórios há mais meios no terreno do que há dois anos e o sistema de combate está melhor organizado, bem como a população mais sensibilizada.

Todavia, ainda há muito que fazer: problemas que ainda não estão completamente solucionados, como a falta de reforços alimentares, entre outros. O esforço passa pela consciencialização de que isto é um assunto comum e que é importante que tudo seja feito para proteger as pessoas.

Fonte: Agroportal 

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