O que vamos comer no futuro depende da vida sexual das plantas

O que vamos comer no futuro depende da vida sexual das plantas

Jessy Silva estuda os processos envolvidos na reprodução das plantas. A investigadora do LAQV/REQUIMTE, no Porto, quer maximizar a produção de sementes – e, consequentemente, a produção agrícola.

O “abominável mistério”. Era assim que Charles Darwin descrevia a origem e o processo evolutivo das plantas com flor. O fenómeno atormentava-o por uma boa razão: parecia ser a exceção à sua já publicada teoria da evolução através da seleção natural – na qual defendia que são os seres vivos com as características mais favoráveis às condições do ambiente aqueles que sobrevivem, transmitindo essas características às gerações seguintes, num processo lento e contínuo ao longo do tempo.

Esta ideia de que a natureza não dá saltos era apenas contrariada pelas plantas com flor: de acordo com o registo fóssil, elas surgiram de forma repentina há cerca de cem milhões de anos, durante o Cretáceo Inferior, e multiplicaram-se a uma velocidade alucinante, sendo atualmente o maior e o mais diverso grupo de plantas. Que uma flor pudesse pôr em causa o trabalho de uma vida era algo que provocava pesadelos ao autor de A Origem das Espécies (1859) e partilhou essa preocupação em cartas trocadas com outros naturalistas.

Um século e meio depois, o fenómeno não está ainda completamente esclarecido. Entender como é que a flor – a estrutura responsável pela reprodução da maioria das plantas – evoluiu tem ocupado os pensamentos de Jessy Silva. Ela tem 24 anos, mas não gosta de facilidades: foi a complexidade deste campo de estudo, onde tantas questões ainda persistem, que a atraiu.

Sabemos menos sobre as plantas do que sobre os animais. Esse desconhecimento abre mais possibilidades de investigar, há mais questões a precisarem de resposta. Foi isso que me apaixonou”, explica a investigadora do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV)/REQUIMTE no polo da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), onde está a realizar o projeto de doutoramento na área da reprodução sexuada das plantas.

“Gosto de comparar o que estudo a uma história de amor. Tal como nós, nas plantas existe uma parte masculina e uma feminina que têm que se unir para haver a formação de novas plantas. A parte masculina são os grãos de pólen e a feminina são os óvulos no centro das flores. Quando se encontram, há a formação de uma semente que depois germina e leva a uma nova geração de plantas.”

Saber mais sobre a reprodução das plantas não é um mero exercício de curiosidade intelectual. É uma necessidade. E uma necessidade cada vez mais urgente porque está relacionada com um dos maiores problemas que enfrentaremos a curto prazo: alimentar uma população em constante crescimento.

As plantas com flor surgiram de forma repentina há cerca de cem milhões de anos, durante o Cretáceo Inferior, e multiplicaram-se a uma velocidade alucinante, sendo atualmente o maior e o mais diverso grupo de plantas

“Estima-se que, até 2050, a população humana atinja os dez mil milhões.

 

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