O que fazem os agricultores quando já está tudo feito?

O que fazem os agricultores quando já está tudo feito?

Passada a fase da colheita da erva, das lavouras e da sementeira do milho, o silêncio reina sobre os campos e sobre as redes sociais 🙂 de quem terminou as sementeiras. Quem ainda não terminou também fez uma pausa por causa da chuva dos últimos dias. Para quem já semeou, está o trabalho todo feito? Vejamos alguns exemplos:

  1. Com temperatura acima de 20 graus, ao fim de uma semana o milho começa a nascer. De certa forma, o “milho-bébé” 🙂 precisa de atenção redobrada como os bébés das outras espécies vegetais e animais. Depois de verificar que todo o milho está a nascer e não houve falhas no semeador ou na semente, temos de visitar regularmente os campos semeados para acautelar ataques de pragas, sobretudo insetos do solo (“roscas” e “alfinetes”) mas também lesmas, caracóis, pássaros que arrancam o milho jovem (corvos e gralhas) e mais tarde uma nova praga, a lagarta desfolhadora. E depois virá, em alguns casos, a monda química, a sacha e adubação antes de começar a rega.
  2. Para quem tem animais, como nós temos vacas leiteiras, o trabalho de alimentar e ordenhar nunca parou, mas podemos agora dar uma atenção redobrada a alguns cuidados extra: limpezas, desinfeções, controlo de moscas, manutenções do equipamento… por exemplo, ontem estivemos a trocar as tetinas de silicone da maquina (robô) de ordenha.
  3. No fim das sementeiras é tempo de fazer a manutenção das máquinas e alfaias. As coisas mais simples todos fazemos em casa (lavagens, lubrificações com massa consistente e parafinação, limpeza de filtros, etc), outras exigem a deslocação à oficina: esta semana fui colocar um pequeno vidro que foi substituído por fita cola nas últimas semanas. A fita-cola cinzenta é uma das coisas mais importantes para o agricultor, depois do canivete, do alicate, dos fios, dos arames e wd40 (passe a publicidade 🙂 )
  4. Quem tem hortícolas, frutas ou vinhas tem de fazer semanalmente os tratamentos, ainda mais nestes dias de chuva e calor, que o povo diz “estar bom para o arejo” (ataque de míldio).
  5. Burocracia: Temos de registar as sementeiras, adubações e tratamentos dos campos, nascimentos, tratamentos e movimentações dos animais, levar as faturas ao contabilista, etc. – não esquecer as candidaturas das ajudas anuais até 31 de maio!
  6. Apesar da folga que estes dias de chuva trouxeram, será tempo de preparar os sistemas de rega, trabalho dificultado pela dispersão das parcelas que exige motores e canalizações para aproveitar a água disponível nas captações que fizemos ao longo de gerações.

Muito a propósito, um colega canadiano partilhou a definição de agricultura de uma colega dos Estados Unidos : «Fazer agricultura é dizer “depois desta semana as coisas vão abrandar um pouco…” e repetir isto sucessivamente ao longo de toda a vida» 🙂

#carlosnevesagricultor

O artigo foi publicado originalmente em Carlos Neves Agricultor.

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