O futuro dos sistemas de captura de carbono

O futuro dos sistemas de captura de carbono

Projetos Expresso. O projeto 50 para 2050, uma parceria do Expresso com a BP, chega amanhã, terça-feira 16 de fevereiro, ao sétimo de dez debates, e desta vez o tema em cima da mesa serão os sistemas de captura de carbono. Como sempre, será às 11h no Facebook do Expresso

A descarbonização pode ser atingida de duas formas: pela redução ou eliminação total das emissões de gases com efeito de estufa que são lançadas, em excesso, para a atmosfera por alguns sectores da economia e pela captura e armazenamento desses mesmos gases, mas cujas emissões não se conseguem evitar que cheguem à atmosfera.

Apesar de, nos últimos anos, se falar mais das medidas de redução de CO2, o tema da captura de carbono “é uma opção relevante na descarbonização do sistema energético”, pode ler-se no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050). Contudo, uma das razões para ser tão pouco mencionado poderá estar relacionado com o facto de ainda não haver soluções tecnológicas economicamente viáveis.

“Em Portugal, esta opção tecnológica apenas poderia ter viabilidade técnica e económica no sector dos cimentos, no entanto, a evolução da produção nacional de cimento poderá não ter dimensão suficiente para justificar, do ponto de vista económico, a criação de uma rede de transporte e posterior armazenamento de CO2. Na mesma linha, as opções de bioenergia com captura e armazenamento de carbono não surgem economicamente custo-eficazes à luz do conhecimento atual”, pode ainda ler-se no RNC2050. Onde se acrescenta, contudo, que “este panorama poderá ser alterado” porque estas são áreas de investigação a nível Europeu e, no futuro, poderão surgir soluções mais vantajosas.

Em Portugal já há faculdades e empresas a investigar e a procurar soluções de captura e armazenamento de carbono, algumas das quais permitem reutilizar ou reciclar o carbono capturado. Para Adélio Mendes, professor catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), este tipo de sistemas (que reciclam) são aqueles em que se devia apostar. “No desespero não me oponho a medidas de só de sequestro de carbono, mas se houver alternativas é melhor”, diz ao Expresso.

Mas, de facto, a aposta das indústrias tem sido mais na redução das emissões e não tanto na sua captura, repara ainda Adélio Mendes. Por exemplo, nas papeleiras e cimenteiras o foco tem sido o uso de combustíveis que não sejam fósseis, acrescenta. E nas centrais a carvão, o problema foi resolvido com o encerramento, como já aconteceu com a de Sines, diz ainda.

A captura de carbono tem sido, por isso, considerada como uma espécie de desígnio da natureza, ou seja, onde pode ser reforçada é nas florestas e na agricultura e é isso que está plasmado no RNC2050. “Atingir a neutralidade carbónica em Portugal implica reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em mais de 85%, em relação a 2005, e garantir uma capacidade de sequestro agrícola e florestal de carbono na ordem dos 13 milhões de toneladas” e uma das formas de atingir essas metas passa por “garantir uma agricultura e uma floresta sustentáveis e resilientes e combater a desertificação”, pode ler-se no documento.

Para Francisco Avillez, coordenador científico e sócio fundador da Agroges, isso consegue-se “desde que haja florestas e pastos bem geridos e com práticas sustentáveis de conservação”, ou seja, limpando bem os terrenos para evitar os fogos que depois lançam CO2 para a atmosfera; plantando mais árvores e trabalhando os solos. “Se ninguém lhes mexer não há matéria orgânica e não se capta o CO2”, repara.

Adélio Mendes e Francisco Avillez são dois dos convidados do debate de amanhã do projeto 50 para 2050, cujo tema são os sistemas de captura de carbono. A eles juntar-se-á Ana Sousa, investigadora do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro; José Palha, presidente da Associação Nacional de Produtores de Cereais e ainda Miguel Aranda da Silva, diretor da área de resíduos da Veolia Portugal.

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