Enquanto Portugal enfrenta o desafio histórico das alterações climáticas e secas cíclicas, o projeto SAFEWATER apresentou ontem, 23 de março, no Centro de Empresas Inovadoras (CEI), resultados que prometem revolucionar a gestão hídrica no mundo rural. A conclusão é clara: é possível utilizar águas residuais tratadas na agricultura sem comprometer a saúde dos solos, garantindo a sobrevivência das explorações mesmo nos anos mais secos.
O evento de apresentação reuniu o consórcio liderado pela Universidade de Coimbra (UC) e pela InovCluster, demonstrando que a ciência aplicada é a única saída para manter a produtividade agrícola nacional face à escassez hídrica.
Ciência contra a seca: regenerar em vez de esgotar
Os dados apresentados pelas equipas de investigação do CERES (Coimbra Engineering and Renewable Resources for Sustainability) comprovam que a tecnologia de tratamento validada pelo SAFEWATER não só limpa a água, como preserva a “impressão digital” microbiana do solo.
“Não estamos apenas a dar uma segunda vida à água; estamos a assegurar que o solo, o nosso recurso mais precioso, permanece vivo e produtivo,” afirmou a Professora Paula Morais (UC), destacando que a microbiologia é o motor desta regeneração.
Uma aliança estratégica para o futuro do país
A força do SAFEWATER reside na interligação entre a academia, o poder local e os gestores de infraestruturas. A participação ativa da Câmara Municipal de Castelo Branco, dos Serviços Municipalizados e da AdP VALOR (Águas de Portugal) permitiu criar um modelo de economia circular que já está a ser olhado como uma referência a nível nacional.
Ao mapear zonas sensíveis no Parque Natural do Tejo Internacional (PNTI), o projeto provou que a sustentabilidade ambiental e a viabilidade económica da agricultura podem (e devem) caminhar juntas. O apoio de instituições como a FCT, a Fundação “la Caixa” e o BPI sublinha a relevância estratégica deste investimento para a resiliência do território.
Resultados que marcam a agenda nacional
Num momento em que o país debate o Plano Nacional de Água e novas estratégias de regadio, as conclusões apresentadas ontem em Castelo Branco oferecem respostas concretas:
- Segurança Alimentar: Água para Reutilização (ApR) com controlo rigoroso de contaminantes.
- Proteção do Ecossistema: Manutenção da biodiversidade do solo no PNTI.
- Eficiência Operacional: Redução da pressão sobre as massas de água potável.
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O artigo foi publicado originalmente em Rede Rural Nacional.
















































