O estrume e os odores do feno incomodavam os vizinhos. Um agricultor vai ter de lhes pagar 8 mil euros

O estrume e os odores do feno incomodavam os vizinhos. Um agricultor vai ter de lhes pagar 8 mil euros

O caso, ocorrido em França, é mais um exemplo das tensões entre populações rurais e “neorurais” de origem citadina

Nicolas Bardy, um agricultor francês que travou uma longa batalha com um casal de reformados seu vizinho que se queixava dos odores provenientes da sua exploração, vai ter mesmo de indemnizar os dois idosos: 6 mil euros por danos e outros 2 mil de custas judiciais. Tudo somado aos 10 mil euros que o processo já gastou em custas e outras despesas judiciais.

A decisão, tomada pela Cour de Cassation, a última instância civil em França, após outras jurisdições se terem pronunciado, culmina um processo que durou 10 anos e opôs dois tipos de residentes no campo: os que lá vivem há muito e fazem da agricultura o seu trabalho, e os chamados neo-rurais, frequentemente vistos pelos primeiros como intrusos.

O tribunal, embora reconhecendo que a agricultura costuma gerar odores, entendeu que a presença do gado (com a consequente produção abundante de estrume, ao lado da janela da cozinha dos vizinhos) bem como os “odores fortemente irritantes” de fardos de feno amadurecidos, constituem de facto uma “desordem anormal de vizinhança”.

Bardy responde que “o odor faz parte do folclore e da campanha” e chama à sentença “a estupidez levada ao extremo”. Menciona esforços que fez para resolver o problema, incluindo a construção de um edifício novo a um quilómetro da propriedade dos vizinhos. Mas vai pagar, para encerrar o assunto e não ter mais despesa, por muito indignado que esteja com essa interferência de forasteiros numa atividade que a sua família exerce ali, na vila de Lacapelle-Vescamp, região administrativa de Auvérnia-Ródano-Alpes (Cantal), há seis gerações.

Uma carta aberta de apoio a Bardy já ultrapassa 122 mil assinaturas. Não serviu de nada. Mas a guerra entre as zonas rurais e os citadinos continua. Um presidente da câmara noutra zona avisou recentemente: “Barulhos de vacas, de tratores ou de sinos na vila, aqui há barulho e se isso não vos agrada, é favor seguirem o vosso caminho”.

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