Navigator investe em Espanha para ‘fugir’ às restrições ao eucalipto em Portugal

Navigator investe em Espanha para ‘fugir’ às restrições ao eucalipto em Portugal

A Navigator deverá investir em Espanha devido às restrições ao eucalipto em Portugal, à política fiscal atual e à “hostilidade” a “quem quer investir” no país. As declarações são de João Castello Branco, presidente da Semapa e CEO interino da Navigator, que em entrevista ao Expresso revela que a companhia está “ativamente à procura de terras em Espanha para cultivar eucalipto”.

“Investimos mais de 2 mil milhões em Portugal nos últimos 10 anos, no ano passado foram 250 milhões, somos em muita medida o maior investidor industrial deste país (…) Toda a perseguição, todas as dificuldades impostas a quem quer investir neste país, seja pelas restrições ao eucalipto, seja pela política fiscal imposta às empresas, seja o ambiente de crispação e de hostilidade que existe para com os empresários e para quem investe, preocupam-nos”, diz ao semanário.

“Estamos ativamente à procura de terras em Espanha para cultivar eucalipto e para suprir as necessidades que não podemos satisfazer em Portugal. Temos 500 hectares arrendados já em Espanha e dois a três comerciais a angariar hectares adicionais, temos mais 1000 no pipeline”, revela o CEO interino da Navigator. Atualmente, a Navigator importa já “200 milhões de eucalipto” e compra 350 milhões de euros em Portugal.

“Se a política florestal que está em vigor em Portugal continuar não temos outro remédio senão importar mais. Iremos mais para Espanha porque está mais perto e fica mais barato, mas acredito que também continuaremos a ter de incrementar a percentagem que vem da América Latina”, acrescenta. Para além disso, critica “a discussão muito ideológica sobre o tema” dos eucaliptos em Portugal. “A associação que se faz do eucalipto aos incêndios é não factual, 80% da área que ardeu nos últimos anos, segundo o Instituto da Conversação da Natureza e das Florestas não é eucalipto, ardem matos incultos e pinheiro, o eucalipto é a terceira espécie que arde”, conclui.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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